O rock progressivo à moda de Jon Anderson

Estadão

13 de dezembro de 2011 | 06h37

Felipe Branco Cruz

Em 1963, o inglês Jon Anderson tinha apenas 18 anos e seu sonho era conhecer os Beatles, que estavam no auge. “Consegui tocar com meu irmão no Cavern Club, em Liverpool. Mas queríamos ver os Beatles”, conta. Ainda naqueles anos 60, Anderson ingressaria no Yes, grupo de rock progressivo que faria sucesso na década seguinte. O cantor não chegou a conhecer o quarteto de Liverpool, mas seguiu seu rumo, sob a influência dos ídolos. “A música me acompanha, então, por mais de 50 anos”, diz Anderson, que se apresenta hoje à noite em São Paulo, para contar um pouco de sua história em canções.

Uma das vozes mais marcantes dos anos 70 e 80, Jon Anderson segue excursionando pelo mundo, aos 67 anos, em carreira solo desde que foi demitido do Yes, depois de 35 anos com a banda. “Passei por um período muito difícil”, contou ele, em entrevista ao JT.

Ao longo do ano de 2008, ele se submeteu a uma série de cirurgias que quase comprometeram sua voz delicada. “Nesse período, eu passei a pintar quadros. Foi uma espécie de terapia”, recorda ele. Mesmo depois de 100% curado, Anderson não foi aceito de volta na banda que ajudou a fundar.

“Quando os fãs me perguntam por que eu não volto para o Yes, minha resposta é: ‘depende deles’. Fico tão chateado com isso.” Apesar do discurso, ele se diz conformado. “Vou investir no meu projeto. Gosto de trabalhar com quem gosta de música”, diz.

No ano passado, o Yes veio ao Brasil, sem Anderson. Hoje, no palco do Citibank Hall, será a vez do cantor vingar a ausência, acompanhado apenas de seu violão e, eventualmente, de um piano. Neste show acústico, promete tocar músicas do Yes e de sua carreira solo. É a chance dos fãs lembrarem de hits como Owner of a Lonely Heart, Close To The Edge e Awaken.

Anderson também deve incluir, no repertório, seu álbum colaborativo Survival & Other Stories. “Quando não podia cantar, pedi aos fãs me mandarem criações. Escolhi 15 músicas realmente boas e gravei”, explica ele, que se diz fã de Milton Nascimento e do Brasil. “Gosto do Brasil porque vocês fazem música por amor. É diferente do resto do mundo, onde o que importa é ganhar dinheiro.”

Outro destaque é sua música mais recente, Open, lançada em seu aniversário, em outubro. “É a melhor música que já fiz. Mas, naturalmente, sempre vou achar que minha música mais nova é a melhor”, brinca Anderson. “Ela dará uma ideia do meu pensamento musical atual.”

Vidas passadas

É público o interesse de Anderson em espiritismo e vidas passadas. “Em 1990, eu estava na China, andando de bicicleta, quando tive um sentimento muito próximo com aquele país”, conta ele. “E então alguém me disse que achava que eu tinha vivido lá.”

Questionado sobre a doutrina formulada pelo francês Allan Kardec e muito propagada no Brasil, disse: “Não conheço, mas fiquei muito interessado no tema.” “Acredito que a alma é eterna e reencarnamos várias vezes até evoluirmos espiritualmente. Há vários rios, mas todos deságuam no mar.”

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