O ressurgimento dos duetos no rock

Estadão

25 de outubro de 2010 | 16h29

Marcelo Moreira

São cada vez mais raras as parcerias no rock. Nos últimos tempos, digna de nota, tivermos Eric Clapton e Steve Winwood reeditando os bons tempos do Blind Faith em 2008 e 2009, que rendeu até um excelente álbum duplo ao vivo gravado em Nova York.

Vale mencionar também Rob Halford e Bruce Dickinson cantando juntos na faixa “The One You Love to Hate”, do disco “Ressurrection”, do vocalista do Judas Priest, e também a parceria entre Queensryche e Dio em uma faixa no álbum “Operation Mindcrime 2”, na música “The Chase”.

 

O projeto Allen/Lande tenta reeditar, ao menos em parte, a boa época das parcerias frequentes na área do heavy metal. O mentor intelectual é o guitarrista e multi-instumentista sueco, Magnus Karlsson, especialista em compor músicas com temas épicos e fantáticos. Teve a boa ideia de chamar dois grandes vocalistas para “duelarem”, o norte-americano Russell Allen, do Symphony X, e o norueguês Jorn Lande, atualmente no Masterplan.

“The Showdown” é o mais recente trabalho do projeto, o terceiro e melhor já lançado até agora – os anteriores foram “The Battle” (2005) e “The Revenge” (2007).

O som continua baseado em um power metal vigoroso e com guitarras bem trabalhadas – apesar de nos trabalhos anteriores haver menos duetos do que o necessário, defeito aparentemente minimizado no novo trabalho. “Judgement Day” é o primeiro single divulgado e mostra interpretações mais maduras e menos exageradas dos dois cantores.

 Magnus Karlsson, aliás, também é o cérebro, ao lado do baixista alemão Mat Sinner, por trás do projeto Kiske/Somerville, que teve oficialmente lançado na Europa o seu primeiro trabalho homônimo – que deve sair no Brasil até o começo do ano que vem.

O esquema é similar ao Allen/Lande: usa o nome dos dois principais integrantes, os cantores Michael Kiske (ex-Hellooween) e Amanda Somerville (com participações em álbuns de Epica, After Forever, Virgo, Shaman, Avantasia e outros).

Até pela presença de Kiske, o som do projeto é mais calcado no hard rock, apesar das passagens sinfônicas e da presença maciça de aranjos orcquestrais típicos do power metal. Os dois cantores dão um show de interpretação, em duetos bem construídos e com músicas bem variadas, aproveitando a versatilidade de Michael Kiske.

Apesar da mão de Karlsson no projeto, o Kiske/Somerville tem a cara de Mat Sinner, músico e produtor talentoso com passagens por várias gravadoras importantes na Europa, além de ser o líder da banda de hard/heavy Sinner e do Primal Fear, outro projeto vitorioso que virou banda, ao lado do ótimo vocalista Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray e “quase” Judas Priest).