O peso e o brilho do Saxon em São Paulo

Estadão

03 de abril de 2013 | 16h54

Marcelo Moreira

Paul Byfford é um gentleman, um homem educado, mas de personalidade forte e sem muita paciência para conversa fiada. Entretanto, ele perdeu a linha no último dia 26 de março, no único show brasileiro da atual turnê mundial do Saxon. No acanhado, mas aconchegante espaço A Seringueira, em São Paulo, ele ficou realmente entusiasmado com o público brasileiro e com a energia que as pouco mais de 1,5 mil pessoas transmitiram naquele que pode ter sido o show da banda realizado no lugar mais apertado desde que aportaram por aqui pela primeira vez, há 15 anos.

“Tínhamos de vir mais vezes para a América do Sul e para o Brasil, a recepção é inigualável. Não somos tratados como superstars, mas como realmente somos, uma estupenda banda de rock”, disse o vocalista Byfford nos bastidores, ao final do show. E ele não mentiu: o quinteto inglês na ativa há 37 anos fez uma grande apresentação.

O Saxon não precisa de muito para agradar. Sem  adereços de palco ou iluminação diferente, despejou uma saraivada de clássicos do heavy metal que levantou o público, surpreendentemente formado em grande parte por jovens que nasceram quando o grupo já não era mais a grande sensação do metal mundial. Mas isso pouco importava. a banda celebrou de forma impecável mais uma passagem pelo Brasil.

O novo álbum recém-lançado, “Sacrifice”, foi contemplado com quatro músicas, mas infelizmente pouca gente na platéia sabia de tal fato. Lançado no final de fevereiro no Europa, a versão nacional do CD demorou a ser liberada e ainda não está disponível. somente algumas poucas cópias importadas podiam ser encontradas na tradicional Galeria do Rock, em São Paulo, antes do show.

O desfile de clássicos mostrou o de sempre: banda carismática e competente, vocalista com vocação para mestre de cerimônias, um baixista ensandecido, uma dupla de guitarristas entrosadíssima e um baterista muito preciso. E tome hits um atrás do outro: “Power and the Glory”, “20.000 Feet”, “Crusader”, “Heavy Metal Thunder”, “Eagle Has Landed”, “Denim and Leather”, “Stron Arm of Law”, “Never Surrender, “Broken Heroes”, ” Princess of the Night”…

Sem precisar provar nada, o Saxon atingiu o patamar que toda banda clássica almeja: tocar com prazer, seja onde for, e ser ovacionada sem ter de recorrer a expedientes condenáveis. Tudo bem, é fácil subir ao palco com a platéia na mão, com o jogo ganho, mas isso não significou acomodação. O quinteto honrou o nome e a própria história, e ainda assim detonaram. É coisa para poucos…

 

Saxon em São Paulo – (FOTO: POEIRA ZINE)

 

 

Setlist:
1. Sacrifice
2. Chasing the Bullet
3. Power and the Glory
4. Made in Belfast
5. To Hell and Back Again
6. Wheels of Terror
7. Never Surrender
8. Conquistador / 20000 ft.
9. The Eagle has Landed
10. Guitar Solo
11. Stand Up And Fight
12. Metal Head
13. 747 (Strangers in the Night)
14. Rock ‘n’ Roll Gypsy
15. Wheels of Steel
16. Crusader

Bis:
17. Heavy Metal Thunder
18. Strong Arm of the Law
19. Denim And Leather
20. Princess of the Night

 

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