O novo CD do Foo Fighters: com a ajuda de velhos parceiros

Estadão

22 Junho 2011 | 12h25

Jotabê Medeiros

O sétimo álbum dos Foo Fighters, lançado este mês, é um disco para acabar com a escrita. Aquela que reza que o Foo Fighters faz discos medianos e shows memoráveis. Wasting Light é muito acima da média. Pauladas na medida certa, melodia nos moldes dos mais refinados ouvidos.

Começa com paulada, é claro, com Bridge Burning. Garage rock da melhor cepa, o disco vai de um certo gosto trash (em White Limo), um treco de endoidecer síndico, até um doce presente para os fãs do Nirvana, I Should Have Known (que traz participação do baixista Krist Novoselic, que integrou a mítica agremiação do rock e andava sumidão).

O produtor também é um velho conhecido dos fãs do Nirvana: Butch Vigh, que trabalhou na produção do maior clássico do grupo, Nevermind.

A baladona ledzeppeliana I Should Have Known é dedicada a Jimmy Swanson, um roadie da banda e amigo de infância de Grohl, que morreu de overdose em 2008. Outro tributo vem na segunda música do disco, Dear Rosemary, que é dedicada à lenda do hardcore Bob Mould. As bandas de Mould, como Hüsker Dü e Sugar, foram influentes na materialização do som do Foo Fighters, disse Grohl.

O disco sucede um trabalho grandiloquente da banda, Echoes Silence, Patience & Grace (2007), que ganhou um Grammy e despendeu grande esforço e investimento. Esse álbum, ao contrário, conforme anotou o cineasta James Moll, foi registrado em gravador analógico no estúdio da garagem de Dave Grohl. Daí o sentimento de que é um resultado heroico e de grande sinceridade.

Claro que não é unânime. Os críticos ingleses, especialmente, acharam que é um álbum muito adequado à fórmula de grandes estádios, grandes arenas, por conta das aberturas para solos de guitarras e bateria e coros anatômicos, como nas faixas Back & Forth e Arlandria. Sinceramente, não parece um problema, os Stones fazem isso com maestria e não são exatamente comerciais.

Há um equilíbrio entre brutalidade (White Limo) e contemplação (Walk, a mais bela explosão do Foo Fighters desde Learn to Fly).

Dave Grohl não precisava provar mais nada pra ninguém. Já alistou seu ídolo John Paul Jones, do Led Zeppelin, numa banda admirável, o supergrupo Them Crooked Vultures, tocou no estádio de Wembley e na Casa Branca e dividiu palcos com gente como Paul McCartney. Mas continua fazendo um rock despido de frescura e sem arroubos de messianismo ou autoindulgência.

Seria legal se o Rock in Rio, que abriu uma nova noite, trouxesse o Foo Fighters para dinamitar nossa pasmaceira em setembro, ou algum outro festival. Neste momento, essa é uma das mais notáveis viagens do rock’n’roll. / J.M.

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