O mestre Jack Bruce finalmente vem ao Brasil

Estadão

02 de julho de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

Inovador, vituoso e irascível, o escocês Jack Bruce rivalizou com John Entwistle (The Who) e Chris Squire (Yes) na disputa pelo topo da lista de melhores baixistas do rock nos anos 70.

Com origem no jazz, estabeleu novos parâmetros no instrumento quando enveredou pelas jam seissions ao vivo ao lado de Eric Clapton e o baterista Ginger Baker no Cream, o primeiro supergrupo da história. Fraseados de jazz com a cadência do blues e a velocidade do rock eram a sua marca registrada no fim dos anos 60.

Sua carreira errática após o fim do Cream, em 1968, não diminuiu a genialidade e a beleza de seu trabalho. Após mais um período de pouca atividade, eis que ele ressurge no maravilhoso grupo de jazz Spectrum Road, ao lado de Vernon Reid (guitarra, do Living Colour), John Medeski (teclados, do Medeski, Martin & Wood) e Cindy Blackman-Santana (bateria), que acaba de lançar um excelente álbum.

Além disso, finalmente decidiu visitar o Brasil em 2012 e anunciou dois shows no país, um em Porto Alegre e outro em São Paulo, em outubro. A banda do baixista é a Jack Bruce & His Big Blues Band, que, além dele, nos vocais, baixo e piano, tem ainda Tony Remy (guitarra), Frank Tontoh (bateria), Paddy Milner (piano, teclados), Nick Cohen (baixo), Winston Rollins (trombone), Derek Nash (sax tenor) e Paul Newton (trompete). Os ingressos custam entre R$ 100 e R$ 240, e estão à venda no Ingresso Rápido.

Imperdível para quem gosta de boa música, Bruce faz um show variado e versátil, com músicas de totas as fases de sua longa carreira de quase 50 anos. Aos 69 anos de idade, mantêm um vigor impressionante para quem tem tocado bem menos do que se supunha neste século XXI.

Muita gente se surpreendeu ao vê-lo nas duas turnês de retorno do Cream em 2005 radiante e em forma, depois de uma década de 90 apagada e com álbuns de pouca repercussão – e, principalmente, após uma delicada cirurgia de transplante de fígado em 2003 para se livrar de um câncer agressivo.

Extremamente técnico para um músico de rock no início dos anos 60, chegou a Londres indicado para tocar na banda de blues Alexis Korner’s Bues Band em 1962.  No seguinte mudaria para a importante Graham Bond Organisation, onde conheceu o companheiro e eterno desafeto Ginger Baker, com quem formaria o Cream junto com o Eric Clapton três anos depois. Antes, teve uma rápida passagem pelos Bluesbreakers de John Mayall.

Com o fim do Cream, em 1968, iniciou um carreira solo de qualidade inversamente proporcional ao sucesso comercial nos anos 70. Os álbuns eram excelentes, mas vendiam muito pouco, enquanto o ex-companheiro Clapton era resgatado das drogas para retomar uma carreira solo de imenso sucesso.

Tocou com o mestre da guitarra Robin Trower e com grandes nomes do jazz, como Tony Williams e Billy Cobham, além de lendas britâncias do blues, como o pianista Brian Auger, e ases do hard rock, como Gary Moore. Com este, tentou reeditar uma versão do Cream, tendo novamente Ginger Baker na bateria.  O BBM (Baker, Bruce, Moore) surgiu em 1994 depois da recusa de Eric Clapton de recriar o Cream, e durou apenas um ano e meio, rendendo apenas um álbum.

Seus mais recentes discos são “Seven Moons”, gravado ao lado de Robin Trower e a caixa, com seis CDs, “Can You Follow?” com registros de sua carreira, a partir dos 19 anos até os dias de hoje.

Jack Bruce

24/10/2012 – São Paulo/SP

Teatro Bradesco – Shopping Bourbon São Paulo – Rua Turiassu, – Piso Perdizes, 2100 – Perdizes
Horário: 21h00
Ingressos: Plateia (de A a N) – R$ 250,00; Plateia (de O a W) – R$ 220,00; Balcão Nobre – R$ 100,00; Camarote – R$ 200,00; Frisa 1º Andar (Visão Parcial) – R$ 140,00; Frisa 2º Andar (Visão Prejudicada) – R$ 120,00
Vendas online: www.ingressorapido.com.br

26/10/2012 – Porto Alegre/RS
Teatro do Bourbon Country
 

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