O melhor da fase blues de Gary Moore

Estadão

21 de agosto de 2010 | 09h00

Marcelo Moreira

“Esse cara precisa de um psiquiatra”. O desabafo é do baterista inglês Ginger Baker, ex-astro do Cream e do Ginger Baker’s Air Force e notório encrenqueiro. Ele se referia ao norte-irlandês Gary Moore, guitarrista virtusos e versátil, mais conhecido pelas baladas blues açucaradas que ficaram conhecidas no final dos anos 80.

Capa do CD

Capa do CD "Gold of the Blues"

Baker e Moore trabalharam juntos em 1993 no projeto que reúnia também o baixista escocês Jack Bruce, outro ex-Cram. O projeto BBM (Baker, Bruce and Moore) surgiu quase por acaso, de emergência, quando a reunião do Cream após 25 anos foi abortada por Eric Clapton. Na emergência, chamaram Moore, uma pessoa metódica e cheia de maneirismos, além de profundamente egoísta, nas palavras do baterista.

Pois o guitar hero irlandês mal humorado sempre foi sinônimo de trabalhos de qualidade e muito feeling. Começou tocando em Belfast, em 1969, com a banda local Skid Row (não confundir com a homônima americana de Sebastian Bach). Em 1972, pasou por Dublin, na outra Irlanda, onde conheceu o baixista Phil Lynnot e pasou uma curta temporada no Thin Lizzy, para em seguida criar a sua Gary Moore Band.

No final dos anos 70 e meados dos anos 80 investiu no hard rock e no heavy metal, lançando álbuns excelentes e trabalhando ao lado de gente como Ozzy Osbourne (Black Sabbath), Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Bçack Sabbath), Ian Paice, Deep Purple, Neil Murray (ex-Black Sabbath e Whitesnake) e Phil Lynnot.

garymmore

Capa do CD "Guitar Mind Trip"

Descobriu que podia ganhar dinheiro com o blues ao investir em versões baladeiras e açucaradas de clássicos do gênero a partir de 1988, quando seu hard rock começou a vender cada vez menos, em razão de temas repetitivos e álbuns criativos, mas com pouco apelo comercial.

A fase blueseira de Moore está sendo resgatada neste ano com dois lançamentos de muito bom gosto. “Gold of the Blues” é uma coletânea bem montada da fase blues, com 15 músicas, contendo as suas versões para alguns clássicos do blues, como “Need Your Love So Bad”, “Oh, Pretty Woman”, “Looking for Somebody” e o megahit de sua autoria, “Still Got the Blues”.

“Guitar Mind Trip” também é uma coletânea, só que com 10 músicas, algumas contidas em “Gold of the Blues”, mas contendo também regravações, com arranjos mais elaborados e sem tantos excessos como as gravações originais. Destaques para “Ball and Chain”, “Driftin” e “I Love You More Than You’ll Ever Know”.

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