O legado do Ramones: Marky Ramone volta ao Brasil

Estadão

04 de novembro de 2010 | 08h43

Felipe Branco Cruz

Marky Ramone, 54 anos, ex-baterista do Ramones, uma das maiores bandas de punk de todos os tempos, voltou ao Brasil neste mês para manter aceso o legado de sua ex-banda, que encerrou a carreira em 1996.

Com Michale Graves, ex-vocalista do Misfits, no vocal, a atual banda de Ramone tem, ainda, Alex Kane (guitarra) e Clare B (baixo), mas estes dois não vieram para a turnê sul-americana e foram substituídos por Tukan (guitarra) e Niño (baixo), ambos da banda punk argentina Los Violadores. 

Ramone e Graves conversaram com a reportagem do JT nos estúdios da TV Estadão neste começo de novembro e falaram sobre a responsabilidade de manter o legado do Ramones. Antes da entrevista, o baterista pediu café, sem açúcar, e elogiou o churrasco brasileiro.

“Adoro a comida daqui”, disse. Em seguida, reclamou do relógio que estava usando. “Esse relógio foi presente da minha mulher. Ele é bacana, mas estraga à toa. Preciso de um mais robusto, que não quebre enquanto toco”.

Ele é um dos Ramones que por mais vezes veio ao Brasil. Ao todo, já esteve no País em mais de 20 ocasiões, marca da qual se orgulha. “Venho ao Brasil desde a década de 80, no auge da crise econômica brasileira. Portanto, nunca vim em busca de altos cachês, e sim para me divertir”, disse.

O baterista entrou para o Ramones em 1978, substituindo Tommy Ramone e ficou na banda até 1983, quando foi substituído por Richie. O motivo da saída da banda foi o fato de Marky Ramone estar viciado em álcool. Quatro anos depois, ele voltou para o grupo, após se recuperar do alcoolismo, e permaneceu até o fim da banda, em 1996. “Tenho uma relação muito próxima com os fãs brasileiros”.

No show de hoje, eles irão tocar também a nova música do grupo escrita por Graves e intitulada “When Were Angels”. “O show vai ser uma porrada. Como sempre fazemos”, prometeu Ramone. “Michale é um ótimo vocalista e sempre foi fã do Ramones. A nossa música o influenciou”, contou o baterista.

Graves, por sua vez, falou da honra de tocar ao lado de um legítimo Ramone. “É um privilégio ser capaz de acompanhar Marky e ajudar a manter vivo o legado da banda. Cresci ouvindo o som deles. É a chance de mostrar minha performance”, declarou.

Bandas brasileiras

A relação de Marky Ramone com o Brasil é tão intensa que ele já lançou dois discos gravados ao vivo com bandas brasileiras. O primeiro foi o disco “Éramos Quatro”, com o Raimundos, em 2001, e o segundo com o Tequila Baby, em 2006, batizado de “Tequila Baby & Marky Ramone Ao Vivo”. “Eles me convidaram pra tocar, e eu aceitei. Sabia que eles eram fãs dos Ramones. Eu estava apenas retribuindo o carinho deles”, disse.

Dos quatro integrantes originais, três morreram: Joey (2001), Dee Dee (2002) e Johnny (2004). Ficou apenas o primeiro baterista, Tommy, que acabou virando produtor do Ramones, quando Marky Ramone entrou para a banda. Depois de Marky, também fizeram parte do Ramones outros três integrantes: Richie (1983 a 1987) e Elvis (que tocou apenas duas vezes no grupo), ambos na bateria, e C.J., que entrou no lugar de Dee Dee, no baixo, em 1989, e ficou até o término da banda.

Por causa de diversas brigas entre os integrantes remanescentes, Marky afastou qualquer possibilidade de reunir os músicos ainda vivos para um revival. “O único ex-Ramone com quem converso é o Tommy, porque ele é um dos fundadores do grupo. Com os outros, eu não tenho mais contato. Nem com o C.J.”, afirmou Marky.

A citação específica de C.J. deve-se ao fato de ele ter sido casado, durante 5 anos, com a sobrinha de Marky Ramone: Chessea. “Não há chance de uma reunião. Funciona melhor da forma como acontece hoje. Dee Dee era o meu melhor amigo e não quero desrespeitar a memória dele”.

Mas Marky Ramone não é pessimista quanto ao futuro do punk. Para ele, nada mudou. “As pessoas não mudaram. O que mudou foi a tecnologia. Cantamos as mesmas letras, sentimos as mesmas coisas e fazemos o mesmo som. O punk continua vivo”.

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