O gelado Snow Patrol e o ardido Red Hot

Estadão

26 de setembro de 2011 | 23h59

Felipe Branco Cruz e Pedro Antunes

O show dos californianos do Red Hot Chili Peppers, que fechou o segundo dia do Rock in Rio, anteontem, fez jus à grandeza do evento. O repertório veio recheado de clássicos, como Otherside, Under The Bridge, Higher Ground, Californication, Around The World e Give it Away. A ausência mais sentida foi Scar Tissue, que a banda tocou no show em São Paulo, na semana passada. Também entraram canções como Anarchy of Roses e Factory of Faith, do novo álbum I’m With You (2011).

O receio do grupo de repetir o fiasco que foi o show no festival há dez anos, quando o som ficou baixo, não se concretizou e eles entregaram, a uma multidão de 100 mil pessoas, um espetáculo para entrar para a história do Rock in Rio.

A banda foi acompanhada pelo percussionista brasileiro Mauro Refosco, convidado a excursionar com o grupo na turnê mundial. Eles também apresentaram o novo guitarrista Josh Klinghoffer, que substituiu John Frusciante. Para mostrar personalidade, o músico alterou alguns solos de guitarra das músicas antigas, o que irritou alguns fãs mais tradicionais.

Anthony Kiedis, do Red Hot Chili Peppers durante apresentação Rock in Rio 2011, festival de música realizado na Cidade do Rock, (Foto: EVELSON DE FREITAS/AGENCIA ESTADO/AE)

No final de quase duas horas de show, quando o grupo voltou para o bis, todos eles usavam camisetas brancas com o rosto de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. Rafael era fã da banda e morreu atropelado em 2010.

Antes do funk rock do Red Hot entrar no Palco Mundo de forma avassaladora, o grupo irlandês Snow Patrol bem que tentou, mas foi difícil fazer com que a plateia se animasse.

 Se no festival Natura Nós, em São Paulo, no ano passado, o vocalista Gary Lightbody quase não falou com o público, no Rio, ele fez questão de conversar a cada troca de música. Tudo para afastar o estigma de banda de um só hit – no caso deles, Open Your Eyes, de 2006. A banda, no entanto, sofre com seu próprio sucesso.

A curiosa voz de Lightbody, em dados momentos, parece ser algo como uma mistura de Sting com Eddie Vedder, do Pearl Jam. A discreta participação da cantora paulista Mariana Aydar, em Set the Fire to the Third Bar (gravada no 5º disco, A Hundred Million Suns, com a canadense Martha Wainwright), foi outra cartada para cair nas graças do público brasileiro. Em vão.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: