O diabo na vida de Robert Johnson – parte 4

Estadão

01 de janeiro de 2013 | 16h28

Márcio Ribeiro – coluna Blues Before Sunrise – site Whiplash

Fala-se que o poder de Robert Johnson de absorver a técnica e estilo de quem ele observa era impressionante. Supostamente, Robert aprende de você e depois acaba tocando o seu estilo melhor do que você. Nao há registros sonoros de Ike Zimmerman para poder-se determinar quão evoluido no instrumento ele realmente era para poder ensinar Robert Johnson a tocar como ele passou a tocar.

Todavia, o fato é que, quando Robert Johnson retorna para Robinsonville em meados de 1932, ele já é um músico muito superior do que quando deixou o lugar em 1930. Ele reencontrou com a dupla Son House e Willie Brown em Banks, Mississippi. Dessa vez porém, segundo o que se conta, quando Johnson tocou para o povo local, Son House e Willie Brown ficaram de queixo caído. A ele finalmente foi permitido tocar com o duo, o trio tocando juntos nas redondezas e depois viajando juntos até Memphis, Tennessee.

Son House em entrevista teria dito categoricamente que Robert Johnson se mostrava muito mais evoluido no instrumento do que ele mesmo. E que a única maneira que se explica de alguem passar de tão medíocre a tamanha maestria em tão pouco tempo, é se ele foi para a encruzilhada vender a alma pro Demônio. E assim o boato se espalhou.

Deste ponto da história, conseguir mapear os caminhos de Robert Johnson com exatidão torna-se impossível. Sabe-se que ele deixou o Delta e rodou caroneando via trem, carro ou caminhão pelos centros e cidadezinhas do Mississippi e Alabama. Johnson encontra e faz amizade com Johnny Shines, esse ainda menino sonhando em conhecer o mundo tocando blues.

De tanta admiração pela capacidade musical de Johnson, Shines passa a segui-lo pela estrada na medida que Johnson permitia. Shines confirma que, com Robert Johnson, ambos tocaram em cidades ainda mais distantes chegando a Chicago, Detroit e até atravessando a fronteira indo parar em Windsor, Ontario, no Canadá. Retornam aos Estados Unidos seguindo leste até parar em Nova York.

Enquanto em Detroit, Robert Johnson e Johnny Shines participam como duo tocando no programa de rádio local The Elder Moton Hour em 1937. Embora essencialmente um artista solo, no sentido mais simples do termo, Robert Johnson também se apresentou junto com outros músicos como Willie Borum em Memphis no estado de Tennessee (1932); Henry Townsend em St. Louis no estado de Missouri (1935); e com Johnny Shines viajou por todos os estados paralelos ao Rio Mississippi chegando até o Canadá e depois seguiu leste até a costa durante os anos de 1934 e 1937. Tocou em uma variação de formações com um grupo de bluesmen compostos por Alex Miller (Sonny Boy Williamson II), Howlin’ Wolf e Elmore James, em várias cidades espalhadas pelo estado de Mississippi entre 1937 e 1938; e com David ‘Honeyboy’ Edwards em Mississippi em 1938.

Através de relatos, podemos concluir que Robert Johnson tenha tocado em lugares espalhados pelos estados de Mississippi, Tennesee, Arkansas, Texas, Kentucky, Indiana, Michigan, Missouri, Illinois, Ohio, New Jersey, e New York.

É igualmente provável que Johnson também tenha passado por outros estados americanos, principalmente no sudeste como tambem no centroeste americano. Se especula que o mais longínquo que Robert Johnson tenha viajado seja até as duas Dakotas no meio-noroeste americano. Não há muitos que sugerem que Robert Johnson tenha ido parar na costa oeste, embora não se tem como saber com certeza.

Robert Johnson & Johnny Shines
Robert Johnson & Johnny Shines
Segundo Johnny Shines, Robert Johnson tinha uma capacidade ímpar de pegar e decodificar uma canção nova com apenas uma audição. Shines conta que certa vez estava conversando com Johnson em um local onde havia um rádio ligado e tocando ao fundo.
A conversa continuou normalmente, porém mais tarde no mesmo dia, Shines repara em Robert tocando uma música que havia tocando no rádio durante o papo. Johnson aparentemente, sem deixar de participar da conversa, estava ao mesmo tempo ouvindo e estudando a canção no rádio.
Shines tambem teria dito que poucos são aqueles que podem recordar ter visto Robert Johnson praticando o violão ou trabalhando uma canção. Shines, explicando como Johnson conseguia aprender repertório novo sem muito esforço, teria resumido a questão da seguinte maneira: “Assim como ninguém fala de um pato aprendendo a nadar, pois assim era com o Robert Johnson.”

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