O dia em que 'quase' encontrei Paul McCartney

Estadão

24 de junho de 2012 | 22h00

João Paulo Carvalho – estadão.com.br

Ao contrário de muitos beatlemaníacos de carteirinha, minha paixão pelos garotos de Liverpool começou bem tarde: aos 13 anos. Não se trata de uma idade avançada, mas fato é que muitos dos fãs dos Beatles passaram a ouvir a banda por intermédio dos pais, ainda na infância. Comigo foi diferente. Lembro-me de não resistir aos primeiros acordes de Penny Lane no videoclipe da música. Foi amor à primeira vista, ou melhor, “ouvida”. Fiz de tudo para decorar a letra, que, diga-se de passagem, nem o próprio Paul se recorda mais.

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Tinha conhecimento das históricas passagens do Macca pelo Brasil em 90 e 93, mas eu era apenas uma criança. Quando soube que ele voltaria ao País, 17 anos depois, para três apresentações, sendo duas em São Paulo, minha terra natal, fiquei eufórico. Tentei comprar ingressos para o primeiro show na capital paulista, no dia 21 de novembro, mas não consegui as entradas. Acabei me atrapalhando com os horários das vendas pela internet.

Cheguei à redação do Estado um tanto quanto cabisbaixo. Não havia a menor possibilidade de participar da cobertura do show. Apesar de fã, existiam ali repórteres mais experientes e que admiravam o Macca tanto quanto eu.

Já tinha perdido completamente as esperanças quando o editor do C2+Música, Julio Maria, veio até mim com o presente mais inesperado dos últimos anos: “Garoto, você gostaria de ser “carrapato” do Paul? Vamos precisar de alguém para esperá-lo no aeroporto às 5 da manhã. Topa?” Nem preciso dizer que aceitei o pedido com imensa satisfação e um baita sorriso.

Sabia que as chances de encontrá-lo eram quase nulas. Afinal, Paul McCartney e o aeroporto de Congonhas, apesar das condições propícias, não eram coisas tão compatíveis assim. Mas no fundo, bem lá no fundo, havia uma pontinha de esperança, que era movida pela admiração que sentia por ele. Sem sucesso, depois de madrugar e esperar por mais de duas horas, segui para o possível hotel onde Paul se hospedaria na zona sul de São Paulo.

Ainda bem cedo, quando estava no saguão, percebi uma movimentação estranha na entrada. Apareceu um carro robusto com inúmeros policiais. Eles pareciam escoltar alguém importante. Sim, era Paul McCartney! Bastante nervoso, corri para fora do local, mas alguns seguranças me barraram. A situação foi cômica: Paul tentava entrar no hotel e eu sair para forçar um encontro. Não consegui ver muita coisa no meio daquela confusão toda, mas ouvi algumas pessoas dizendo “Over there, over there (por ali, por ali).

Após a turbulência, tentei despistar os seguranças. Conversei com alguns funcionários do hotel que, nas entrelinhas, me confirmaram que Paul estava realmente ali e já havia subido para o quarto. Antes mesmo de pensar no plano B, um segurança percebeu minha peraltice jornalística e me arrastou para fora do saguão.

Infelizmente, não tive a mesma sorte da então repórter do Estado, Patrícia Campos, que encontrou Paul McCartney horas depois pedalando no Parque do Povo. Foi uma sorte, digamos, “relutante”. No fim das contas, mesmo sem ingressos para o primeiro show, acabei comprando as entradas para a apresentação seguinte, em 22 de novembro. Posteriormente, ainda assistiria a outro espetáculo de Paul, desta vez no Rio de Janeiro, em 2011.

O que faria se esse encontro tivesse, de fato, sido mais concreto? Não tiraria uma foto ou pediria um autógrafo. Diria apenas: “Muito obrigado. Obrigado por ter escrito a história da minha vida antes mesmo dela começar”.

* JOÃO PAULO CARVALHO É BEATLEMANÍACO E REPÓRTER DO ESTADÃO.COM.BR

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