O dia em que a viola encontrou o metal

Estadão

21 de setembro de 2012 | 06h43

Marcelo Moreira

Dois violeiros entram de forma tímida no palco. Vestidos com simplicidade e sem produção de palco. Os desavisados esperam alguma moda de viola de Tião Carreiro, mas se surpreendem com a poderosa Aces High, do Iron Maiden, seguida de outra paulada, Master of Puppets, do Metallica. As duas violas de 12 cordas encontram o heavy metal pelas mãos da dupla Zé Hélder e Ricardo Vignini.

Os dois instrumentistas criaram a dupla Moda de Rock, em que fundiram o rock com o mundo da viola caipira e do instrumental brasileiro de raiz. A parceria deu tão certo que os convites para tocar no exterior não param. Já estiveram recentemente nos EUA e na França, onde tocaram em casas cheias e foram ovacionados.

Ricardo Vignini (esq.) e Zé Helder

O primeiro CD, Moda de Rock – Viola Extrema, foi lançado no ano passado de forma independente e chamou a atenção da crítica especializada, mas ainda não tinha sido o suficiente para transformá-los em músicos cobiçados.

A história deve mudar com o novo lançamento, Moda de Rock – Ao Vivo Viola Extrema, o primeiro DVD da dupla. O repertório roqueiro do CD foi expandido para músicas do cancioneiro caipira/folk/popular das carreiras individuais dos dois músicos, além de canções de autores de várias tendências musicais.

Foram dois shows gravados em 2011, um no Sesc Pompeia (21/4) e outro no Sesc Pinheiros (17/7), que contaram com as participações especiais de Pepeu Gomes, Kiko Loureiro (guitarrista da banda de heavy metal Angra) e do grupo Favoritos do Catira.

O resultado é esplendoroso. É impressionante o “tamanho” do som que eles tiram de seus violões e violas, além da facilidade com que tocam temas de alta complexidade. E pensar que esse trabalho só chegou às lojas graças ao crowdfunding – modelo de negócio em que os fãs contribuem financeiramente para viabilizar CDs, DVDs e shows.

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