O castelo de Hendrix completa 40 anos

Estadão

08 de setembro de 2010 | 08h40

Ben Sisario – THE NEW YORK TIMES NOVA YORK – O Estado de S.Paulo

A alguns passos dos cachorros-quentes da lanchonete Gray’s Papaya, em meio às lojas baratas de Greenwich Village cujas vitrines oferecem CDs usados e certos tipos de narguilés de vidro, é fácil passar desavisadamente pelo número 52 da West Eight Street. Há apenas uma pequena placa para identificar aquele solo sagrado musical: as instalações do Electric Lady Studios.

Fundado por Jimi Hendrix em 1970, a partir de um velho e degradado clube noturno chamado Generation Club, o estúdio era algo estranho para a época.

Em vez de seguir o modelo tradicional dos demais estúdios – um grande caixote impessoal administrado por engenheiros de som conservadores -, a criação de Hendrix era um reduto psicodélico, com paredes curvas, uma criativa iluminação multicolorida e murais de ficção científica erótica para estimular o fluxo da criatividade.

Jimi Hendrix em ação (FOTO: AP PHOTO/FILE)

Jimi Hendrix em ação (FOTO: AP PHOTO/FILE)

Hendrix morreu no dia 18 de setembro de 1970, menos de um mês após a festa de inauguração, realizada em 26 de agosto, mas deixou como legado armários cheios de fitas com material registrado durante as sessões de gravação, e a lista de grandes nomes da música que já trabalharam no Electric Lady inclui os Rolling Stones, o Led Zeppelin e Stevie Wonder.

No dia seguinte à abertura da casa, Jimi fez lá a sua última gravação, pouco antes de embarcar para Londres, onde participaria do Festival da Ilha de Wight, no dia 30.

Há outro aspecto do Electric Lady que se mostrou incomum: o estúdio resistiu ao tempo. Como destacou um grupo de engenheiros de som e produtores durante a celebração do 40º aniversário do local, no mês passado, a maioria dos demais grandes estúdios de Nova York – Hit Factory, Record Plant e Sony Music Studios, por exemplo – fechou as portas nos últimos anos, vítimas das dificuldades financeiras da indústria fonográfica ou das pressões imobiliárias, mas o Electric Lady desafiou as probabilidades ao sobreviver, mantendo-se entre os melhores do mundo.

Mesa de controle do estúdio A de Electric Lady Studios (FOTO: Michael Nagle/The New York Times)

Mesa de controle do estúdio A de Electric Ladyland Studios (FOTO: Michael Nagle/The New York Times)

Eddie Kramer, engenheiro de som de quem Hendrix mais gostava e força ativa na criação do estúdio, oferece uma explicação simples para a longevidade do Electric Lady. “Numa só palavra: clima”, disse ele, sentado numa pequena antecâmara ao lado da cabine de controle de uma das três salas de gravação.

“Queríamos proporcionar um ambiente no qual Jimi pudesse se sentir extremamente feliz, e tivesse a sensação de ser capaz de criar qualquer coisa. Era um lugar maravilhoso, como um útero”, acrescentou. “Era onde ele podia se sentir totalmente relaxado e compor a música que quisesse.”

O sul-africano Kramer, cujo cabelo penteado para trás, cavanhaque bem definido e comportamento meticuloso não proporcionam nenhuma indicação de seu currículo – ele já trabalhou com gigantes do rock como Led Zeppelin, Kiss, Rolling Stones e muitos outros -, celebrava os méritos do Electric Lady num debate organizado pela Sociedade dos Engenheiros de Som. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

Aproveite e ouça o programa-podcast Combate Rock nº 2, produzido pela equipe do blog Combate Rock, que analisa e reverencia a trajetória do guitarrista Jimi Hendrix, que morreu há 40 anos.

Combate Rock nº 2 – Jimi Hendrix by mmoreirasp

Tudo o que sabemos sobre:

Eddie KramerElectric LadylandJimi Hendrix

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.