O caos sonoro do metal industrial do Rammstein no Brasil

Estadão

29 de novembro de 2010 | 17h12

Jotabê Medeiros

Onze anos depois, eis que volta o mais quente grupo alemão de rock de todos os tempos, o Rammstein. Literalmente: o grupo toca com efeitos pirotécnicos (roupas em chamas, microfone em chamas, armações do palco em chamas). Como os Titãs, são muitos em cena (seis). O Estado conversou por telefone com o guitarrista Richard Kruspe. O grupo toca nesta terça-feira no Via Funchal.

Vocês estiveram aqui em 1999, abrindo para o Kiss. O que mudou desde então?

A única coisa é que o show se tornou ainda mais espetacular, maior ainda. Nós nos tornamos músicos melhores. A abordagem teatral do nosso show talvez tenha a ver com a própria vocação dramática típica dos alemães: a pintura, a música, a própria língua têm esse substrato filosófico. Também tem a intenção de fazer a plateia pensar no que está vendo, refletir. Há sempre dois lados na música do Rammstein: por vezes é sombria, mas também é sarcástica, como em Pussy (“Grande demais, pequeno demais/ Tamanho importa, apesar de tudo”).

 É assim que vocês veem o mundo?

São seis caras na banda, são muitas formas de ver o mundo, diferentes ideias. Eu acho que há muitas coisas na música do Rammstein, é mais ou menos como ver um filme.

A Europa viu, especialmente nos anos 1990, a figura do DJ crescer, os DJs se tornaram superastros. As bandas orgânicas sofreram com isso. Hoje, os DJs voltaram a ser pequenos entertainers, em geral. Como você viu esse tempo, o Império dos DJs?

Você está certo, o mundo se tornou DJ naquela época. Foi outro hype, muito comercial, na maioria das vezes. Era reflexo de um certo esgotamento, um certo universo tecnológico também. O que aconteceu, na queda dos DJs, é que eles não eram compositores, na maioria das vezes. Não estavam aptos a criar música nova. Voltaram ao patamar real. Gosto muito de DJs, mas estou feliz em ver que o rock é o gênero mais apreciado hoje em dia. Não é que seja melhor ou pior, mas há uma diferença em ir ver um DJ e ver o Rammstein no palco. O som do Rammstein é mais cru, natural. E também honesto, satisfatório.

Da última vez que conversamos, você elogiou a banda brasileira Sepultura. Ainda gosta?

Eu achava o Sepultura similar ao Rammstein em algumas coisas. Primeiro, porque cultivava uma linguagem única, original, não copiava nenhuma banda americana ou inglesa. Hoje em dia ouço tantas coisas, mas ando preferindo a música dos anos 70, os discos velhos. Não tenho ouvido nada que me faça parar e dizer: Uau!

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