O blues nas guitarras de três prodígios

Estadão

06 de outubro de 2010 | 08h19

Marcelo Moreira

Guitarras bem tocadas, com muito feeling e blues-rock da melhor qualidade. São as características de três excelentes lançamentos recentes do gênero. Dois são guitarristas legítimos do blues  e lançam CDs ao vivo – Kenny Wayne Shepherd e Jonny Lang. O outro é um mestre do heavy metal – John Norum –  que surpreende ao mostrar a sua veia blueseira.

Jonny Lang vem com “Live at the Ryman”, um petardo de blues pesado e rápido, mas com um feeling intacto do jovem que chamou a atenção do mundo em 1998, aos 17 anos. Hoje, aos 29, mostra maturidade impressionante, assim como uma técnica impecável. Para quem se interessar, o CD “Lie to Me”, de 1997, é o resumo das qualidade de Lang, que foi uma das estrelas do filme “Blues Brothers 2000”.

Kenny Wayne Sheperd é outro garoto-prodígio norte-americano, como Lang, e que surgiu na mesma época. Seu estilo é mais calcado no southern rock, com um vocal mais próximo do hard rock. Entretanto, seu feeling é impressionante. “Live in Chicago” também mostra um guitarrista mais maduro e mais contido aos 33 anos.

Sua nova fase o aproxima de outro gênio do blues atual, Joe Bonamassa, só que com um pouco mais de vigor em tenas elétricos mais rápidos. O novo trabalho talvez não acrescente muito a sua carreira como no caso de Lang, mas é um exemplo fantástico de como se tocar bem guitarra na atualidade. Esperamos que a trinca dos prodígios dos anos 90 seja fechada ainda neste ano cum novo trabalho de Derek Trucks, outro norte-americano gênio do instrumento.

Já o sueco John Norum ganhou notoriedade no grupo de hard rock Europe, sucesso munfial em 1986 com as músicas “The Final Countdown” e “Carrie”, ambas do álbum “The Final Countdown”. Ao lado das doversas idas e vindas da banda sueca – que está na ativa de novo – gravou ótimos álbuns solo, como “Face the Truth”, que teve Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) como vocalista.

“Play Yard Blues” mistura rocks básicos e baladas blues tristonhas, mas muito bem feitas e executadas. É uma homenagem à mulher, a guitarrista norte-americana Michelle Meldrum, que morreu há dois anos vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

Assim como o irlandês Vivian Campbell (Def Leppard e ex-Dio) surpreendeu com o maravilhoso e denso “Two Sides of If” há três anos, o álbum de Norum mostra a versatilidade na execução de temas e na composição em uma área que não é a sua de origem. Ele também surpreende como vocalista, apesar de contar com a ajuda de Leif Sundin, veterano cantor sueco da cena blueseira. Lembra um pouco os trabalhos mais versáteis de Paul Gilbert e Richie Kotzen.

Os destaques ficam com “Let It Shine”, “Got My Eyes On You” e “Born Again”, além de versões para músicas do Thin Lizzy, do Frank Marino and Mahogany Rush e do Mountain.

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