O blues demolidor de Joe Bonamassa em São Paulo

Estadão

05 de junho de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Um nome pouco conhecido do blues no Brasil reuniu um público dos mais ecléticos o HSBC Brasil no último sábado. Em sua primeira passagem pelo país, o norte-americano Joe Bonamassa fez tudo aquilo que se esperava do nome mais importante e famoso do blues e do blues rock da atualidade: técnica, virtuosismo e muito entusiasmo.

Aos 35 anos, o guitar hero que também toca no supergrupo Black Country Communion ao lado de Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) provavelmente era mais novo do que metade da plateia que lotou o local.

Outra parte do era formado por músicos ávidos por escutar uma pegada forte e riffs bem construído, além de jovens em geral curiosos para ouvir esse discípulo direto de Stevie Ray Vaughan, Jimmy Page, Jeff Beck e Gary Moore.

Com um público majoritariamente masculino e ganho, Bonamassa não economizou nos riffs e no peso, para certa irritação de uma parcela significativa de mulheres.

Acompanhar esse tipo de show em mesas, como é de costume (infelizmente) em algumas casas em São Paulo, é o fim da picada, mas não impediu que o guitarrista e ótimo cantor fosse ovacionado durante quase todo o show, escorado por uma banda afiadíssima e extremamente competente.

Bonamassa está mais sóbrio e mais maduro, apesar do ritmo alucinante de shows e gravações que empreende desde 2006. A voz está bem melhor do que, por exemplo, no CD ao vivo “A New Day Yesterday Live”, gravado em 2001 e recém-lançado no Brasil pela Som Livre.

Enquanto tocava no Brasil, seu mais novo álbum, “Driving Towards the Daylight”, era lançado nos Estados Unidos e na Europa. E foi a maravilhsoa e emocionante faixa-título que abriu o bis dele, no fim da apresentação.

No mais, foi um desfile de hits de sua carreira solo, com ênfase nos álbuns “A New Day Yesterday”, “Black Rock”, “Sloe Gin” e “Dust Bowl” – este responsável pelos momentos de maior frenesi da plateia, com as músicas “Dust Bowl” e “Slow Train”, mais conhecidas porque o álbum foi lançado aqui no final de 2011.

Os momentos de maior peso ficaram por contra de uma excelente versão de “Blues Deluxe”, clássico imortalizado por Jeff Beck em 1967, com a ajuda de Rod Stewart nos vocais, e em um hard rock beirando o heavy metal, “Young Man Blues”, clássico do bluesman Moses Alison, mas que se tornou parte indissociável do rock por conta das poderosas versões de estúdio e ao vivo de The Who – versões que inspiraram a execução de Bonamassa.

Como workaholic assumido, ele não perdeu tempo com papinhos estéreis com a plateia ou brincadeirinhas. Foram duas horas de pauladas e do melhor blues que passou pela cidade de São Paulo nos últimos tempos.

Aparentemente o guitarrista gostou da recepção calorosa que teve por aqui e também no Rio de Janeiro, onde tocou em 31 de maio, dois dias antes. Em meio aos agradecimentos, disse que adorou a primeira vez no Brasil e que voltará em breve. Tomara.

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