Nova música é apenas um pálido resquício do que foi o Van Halen

Estadão

11 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Atual formação do Van Halen: Alex Van Halen, David Lee roth, Eddie Van Halen e Wolfgang Van Halen (baixistam filho de Eddie)

 

O começo do fim do Van Halen pode ser determinado no lançamento da coletânea “The Best of Vol. 1”, em 1996, trazendo duas canções inéditas e uma nunca editada em álbuns oficiais, além dos maiores sucessos. A nunca editada era “Humans Being”, uma música ótima, a última gravada por Sammy Hagar e feita para a trilha sonora do filme “Twister”.

As outras duas inéditas tinham David Lee Roth nos vocais, 11 anos após a sua saída turbulenta da banda. Foram gravadas em segredo, sem que Hagar soubesse, já que ainda fazia parte da banda naquele final de 1995-comecinho de 1996. “Me Wise Magic” e “Can’t Get This Stuff No More” surpreenderam, pois traziam um frescor á música do Van Halen que não se via desde o álbum “Fair Warning”.

Havia descontração, espontaneidade e as faixas eram realmente boas, embora bem longe dos grandes clássicos da banda nos ano 80, como “Unchained”, “Mean Street”, “Head About It Later”, “Hot for Teacher” e outras. Pena que foi só isso: Roth e Eddie Van Halen logo se desentenderam novamente e a banda, para cumprir contrato, teve de chamar um amigo, Gary Cherone (Extreme), para gravar “Van Halen III”, que não emplacou.

Desde então a banda produziu apenas boatos e uma turnê esquisita pelos Estados Unidos em 2004 contando com Sammy Hagar e David Lee Roth juntos, algo impensável anos antes. Cada um dos vocalistas cantava por uma hora as músicas de suas fases. A turnê não empolgou e Hagar rompeu definitivamente com os irmãos Van Halen – o que sobrou para o baixista Michael Anthony, demitido em 2006 por continuar mantendo contato com o ex-voalista.

Roth voltou em 2007 após longas negociações e conversas para apaziguar mágoas e a banda engatou nova turnê americana com o filho de Eddie, Wolfgang, originalmente guitarrista, no baixo. A partir de então nada de produtivo surgiu.

Nesta terça-feira o Van Halen divulgou o clipe da música “Tattoo”, o primeiro single do novo álbum de inéditas, que será lançado em fevereiro – “A Different Kind of Truth”. A música não empolga, é um mero pastiche do que o grupo fez anos anos 80.

Se as duas músicas novas de 1996 eram interessantes e poderiam, de alguma forma, rejuvenscer o som do quarteto, a nova faixa apenas realça a saudade que se tem dos clássicos contidos nos quatro primeiros álbuns. “Tattoo” não é ruim, mas tampouco é boa. Parece que foi feita para cumprir contrato. Não tem peso, pende ora para o pop, ora para o rock básico, mas sem nenhum solo memorável ou base minimamente inventiva. Exatamente o oposto do que vem sendo feito pelo Chickenfoot, o supregrupo de Hagar e Anthony com o mestre Joe Satriani nas guitarras. O Van Halen vai demorar um pouco para ressuscitar.

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