Noel Gallagher toca em São Paulo

Estadão

01 de maio de 2012 | 02h32

PEDRO ANTUNES

Ainda é estranho ver os irmãos Gallagher separados. Quem sabe até sentir falta dos arranca-rabos protagonizados pelo caçula Liam e o mais velho e carrancudo Noel. Mas, desde 2009, quando o Oasis chegou ao fim, a parceria que liderou o movimento britpop nos anos 90 se desfez. Cada um foi para um canto: Liam criou o Beady Eye e veio como uma das principais atrações do festival Planeta Terra; já o Gallagher primogênito traz agora a sua nova banda, o High Flying Birds, para o Espaço das Américas, na Barra Funda, amanhã, às 22h.

Os ingressos para a pista Premium, logo na beirada do palco, já estão esgotados. Criou-se um interessante duelo musical entre a família. Em quase seis meses de diferença, os dois irmãos mostraram que existe, sim, vida pós-Oasis, mesmo que seja um tanto quanto capenga.

O fato é que os irmãos Gallagher foram feitos um para o outro, musicalmente falando. A instabilidade e frágil relação entre eles ajuda a criar a explosão em forma de canção que o Oasis trouxe nos anos 1990. No rock inglês, a banda é posicionada ao lado de semideuses como The Who, The Clash, The Smiths, Sex Pistols (abaixo de Queen, Rolling Stones e Beatles, apesar dos irmãos terem o incômodo costume de se dizerem melhores do que o quarteto de Liverpool).

Contudo, separados, eles perderam o brilho. Deve se escolher entre a voz blasé de Liam ou o cérebro de Noel. No fim, ninguém sai feliz. O caçula da família possui a voz que embalou a geração noventista na Inglaterra, que rasgou estádios ao redor do mundo, mas todos sabem que ele não é a cabeça pensante, nem dos mais inspirados para compor uma canção. O resultado é que Different Gear, Still Speeding, álbum de estreia do Beady Eye, lançado em 2011, é uma reunião de canções acéfalas, apesar de genuinamente roqueiras. Soa como um punhado de canções descartáveis em discos do Oasis.

Por outro lado, não é possível dizer que falta inspiração nas letras de Noel. E, por isso, o álbum Noel Gallagher’s High Flying Birds, também do ano passado, é menos frustrante do que o disco do irmão. Há canções mais intensas, como AKA… What a Life!, a romântica If I Had a Gun… e Dream On, mas falta ao Gallagher mais velho uma voz mais possante. Sem o irmão, ele se viu livre para armar um disco cheio de instrumentações clássicas, como metais. Juntou grandes canções, é bem verdade, mas para um gogó pouco potente de Noel.

Ainda assim, crítica e fãs seguiram o Gallagher mais velho. Chamado de “o melhor compositor da sua geração” por ninguém menos do que George Martin, grande produtor dos Beatles, Noel continua arrecadando elogios por todos os lados. Na cerimônia do NME Awards, festa promovida pelo tradicional semanário inglês, ele ganhou o prêmio de Godlike Genius, uma honraria à sua contribuição musical. O álbum chegou no topo das paradas britânicas e Noel fez bonito no festival Coachella, na Califórnia, há duas semanas.

Para arrebanhar os fãs dos Oasis ainda indecisos se seguem a voz de Liam ou o cérebro de Noel, o irmão mais velho, ao contrário do caçula, não deixa de tocar clássicos da ex-banda nos shows. Whatever, Talk Tonight, Supersonic, Little By Little, Half The World Away, The Importance Of Being Idle e Don’t Look Back In Anger costumam figurar nos seus shows. No fim, é quase como se estivéssemos de frente para o Oasis. Mas sempre parece faltar um detalhe. Um detalhe blasé.

 DIVIRTA-SE

Noel Gallagher – e High Flying Birds.
Espaço das Américas.
Rua Tagipuru, 795, Barra Funda.
Amanhã, às 22h.Ingressos: R$ 180 (pista).Vendas: www.livepass.com.br

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