No busão com Kurt Cobain (como ele faz falta ao rock)

Estadão

05 Abril 2011 | 17h00

Daniel Fernandes

Eu estava no ônibus. Voltava para casa. Do colégio. E ouvia rádio. Ouvia a 89 FM. Que tocava rock, que tocava grunge, que era o tipo de música que eu mais escutava naquela época (continua a ser o que mais escuto hoje). Voltando. Acaba a música – acho que alguma coisa do Alice In Chains – e o locutor abre um boletim com mais ou menos o seguinte:

Foi encontrado morto em sua residência, em Seattle, nos Estados Unidos, o vocalista do Nirvana, Kurt Cobain. A causa da morte não foi divulgada pelas autoridades, mas suspeita-se que o músico tenha cometido suicídio com uma arma de fogo“. 

Era o clichê do rock.

Tinha sido assim antes com outros tantos artistas. Jimi, Janis, Jim…tantos e tantos outros.

Mas essa foi a primeira morte do rock em que eu prestei atenção. O Grunge estava no ápice. E eu vivia aquilo, com 17 anos, minuto a minuto, segundo a segundo. É óbvio que eu já vestia camisa xadrez na época. E a usava com bermuda, como o vocalista do Pearl Jam.

Gostava do visual, mas principalmente da música. Pearl Jam, depois Nirvana. Nirvana, depois Pearl Jam. E como escutei o Nevermind, segundo álbum do Nirvana. Escutei tanto que até aprendi a tocar no violão Poly. Tirei de ouvido, como se diz. E não sei tocar a música hoje…enfim. E não sei como tirei a música de ouvido.

Kurt Cobain deu um tiro na cabeça faz 17 anos hoje, segundo o relatório dos médicos legistas, que atestaram a morte do cantor para o dia 5 de abril.

Ele deixou seu legado, é verdade. Um ótimo disco chamado Nevermind. Um melhor ainda, chamado Bleach. E um poderoso último álbum: In Utero.

Uma pena sua morte. Se estivesse vivo durante todos esses 17 anos, teria feito muita coisa ruim e muita coisa boa. Mas seria fundamental ter Kurt por perto como provocador mor da república, fazendo música gritada para as massas como poucos sabem.