New Model Army, rebeldia indomável em SP

Estadão

17 de setembro de 2010 | 08h18

Perdro Antunes

Justin Sullivan já era um cinquentão quando ele e sua banda, o New Model Army, tiveram seus vistos de entrada nos Estados Unidos negados, em 2007. Foi uma reação tardia – e passageira – por parte do governo americano contra os músicos que, em 30 anos de carreira, se acostumaram a alfinetar, direta e indiretamente, a política ianque.

Eles não aprenderam. E, como o tempo mostrou, nem precisaram. O último disco dos ingleses, “Today Is a Good Day”, de 2009, por exemplo, foi produzido em meio ao colapso de Wall Street do ano anterior, cuja faixa de abertura, homônima, celebra o declínio da economia americana.

“Eles tinham reivindicado a vitória/ Eles parecem tão idiotas agora”, são algumas das palavras ácidas que saem da boca de Sullivan na canção. Nem a nova alfinetada proibiu o New Model Army de voltar aos Estados Unidos na turnê de celebração do 30º aniversário da banda.

A cidade escolhida para a estreia não poderia ter sido outra: Nova York, nos dias 3 e 4 de setembro. “Sempre tivemos uma relação engraçada com a América”, conta Sullivan, 54 anos, vocalista e guitarrista da banda, com seu sotaque britânico carregado, diretamente da sua casa, em Bradford, na Inglaterra. A segunda parada da turnê comemorativa é justamente São Paulo, onde tocam nesta sexta e neste sábado, no Citibank Hall.

A terceira passagem promete ser diferente das duas primeiras (em 1991 e 2007). Avessos a reproduzir no palco um material antigo, o New Model Army abre nova exceção nesta série de apresentações – a primeira foi em 2000, quando completou 20 anos na estrada.

A banda pretende apresentar, pelo menos, quatro músicas de cada um dos 13 álbuns lançados. Isso significa 52 canções divididas nas duas apresentações. “Queremos dar aos fãs a oportunidade de ver, ao vivo, músicas que não teriam em qualquer outra turnê”, explica Sullivan. “Normalmente, focamos as apresentações nas composições do último disco lançado, não em raridades”.

Os shows em São Paulo seguirão o mesmo script de Nova York. O início se dará com uma performance acústica e, depois de uma breve parada, os ingleses voltarão para completar o repertório com instrumentos elétricos. Uma oportunidade de viajar pelo tempo, com um pós-punk temperado por letras críticas e guitarras pesadas.

“Nós temos mais de 200 músicas gravadas. Então, não foi difícil conseguir criar um set-list para dois shows seguidos, sem repetir nada”, explica Sullivan. Mas o revival obrigou a banda a se reunir para lembrar as gravações antigas, principalmente as dos anos 1980, num processo que durou duas semanas. “Precisávamos reaprender a tocar algumas delas”, diz.

 Repassar o material antigo deixou em Sullivan o gosto da saudade. Enquanto reaprendia as canções, o vocalista se lembrava do amigo e baterista Robert Heaton, que deixou a banda em 1998, por conta de um câncer no pâncreas que o venceu em 2003. “Foi uma grande perda para o mundo”, diz.

 Apesar da referência emotiva, Sullivan não é dado a sentimentalismos. De forma gentil, evita falar sobre o relacionamento de 31 anos com a escritora inglesa Joolz Denby. “Sempre estamos juntos. Ela é a pessoa mais importante que conheci na minha vida. Mas não somos casados. É algo complicado que não preciso explicar”, resume.

É falando sobre sua música que se sente à vontade. Se puder alfinetar os americanos, então, está em casa. “Me perguntaram por que o preço dos ingressos no Brasil (R$ 80 a R$ 150) eram mais caros do que nos Estados Unidos (cerca de R$ 41). A resposta é porque eles são gordos  (risos). Mas outra, mais rápida e divertida, porque é um dos países de terceiro mundo, decadente. Enquanto o outro é o Brasil”. 

 New Model Army

Citibank Hall. Av. Jamaris, 213, Moema. 
Hoje e amanhã (sexta e sábado, dias 18 e 18 de setembro), às 22h.
R$ 80 a R$ 150 (para um show).
 R$ 126 a R$ 290 (para os dois shows)

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