Nervochaos mais brutal ao vivo com 'Live Rituals'

Estadão

03 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Mais obscuro e mais brutal, o grupo paulistano Nervochaos atingiu o seu ápice de violência sonora neste ano com o ótimo “Live Rituals”, álbum ao vivo gravado na Europa e que atira na cara um death metal agressivo, mas ao mesmo técnico.

É muito complicado quando se tenta definir ou diferenciar fases de uma banda, em especial no caso do metal extremo. Seja como for, a “Occult Rituals Over Europe Tour 2011” colocou o Nervochaos em outro patamar e na trilha de outro gigante do metal brasileiro, o Torture Squad.

Os 15 anos de atividade fazem toda a diferença. Experiente e mais madura, a banda consegue manter o patamar técnico já alcançado pelo Korzus, mas ao mesmo tempo faz questão de manter a aura underground, o que, no caso de “Live Rituals”, é totalmente saudável.

A captação do som das músicas, crua e “na cara”, mostra que nem sempre os overdubs (as correções feitas em estúdio, ou até mesmo acréscimos) fazem um CD ao vivo soar bem – pelo contrário, geralmente o uso do recurso confere um clima artificial ao trabalho. Não é o caso aqui.

“Live Rituals”, editado pela Tumba Records, especializada em música extrema,  começa com uma pedrada, “Infernal Words”, para seguir na pancadaria com as ótimas “Pazuzu is Here” e “All-Out War”. Merece destaque ainda uma inspirada versão para uma música muito boa do Sepultura, “Funeral Rites”, do álbum “Morbid Visions”, de 1986.

São oito músicas ao vivo e mais duas músicas de estúdio, gravações antigas feitas para outros projetos. “Turn the Face” é uma versão de um clássico do Brutal Truth, importante banda norte-americana de thrash/death/crossover e que foi lançada originalmente em um tributo internacional à banda do insano Dan Lilker  (ex-Nuclear Assault).

A outra porrada é “The Truth Appears”, gravada originalmente para o projeto “William Shakespeare’s Hamlet”, da brasileira Die Hard Records, que reuniu diversas bandas nacionais em um álbum conceitual com poemas do poeta inglês musicados pelo escritor e músico Adriano Villa.

A formação atual do Nervochaos conta com Daniel “Blasphemoon” nos vocais, Quinho e Guiller nas guitarras, Edu Lane na bateria e Feipe “Porter” no baixo.

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