Nervochaos exalta o Brasil como inspiração

Estadão

24 de janeiro de 2012 | 17h00

Costábile Salzano Jr. – The Ultimate Music – Press

Com o prestigio de ser considerada uma das maiores bandas de metal extremo do país, o Nervochaos está prestes a lançar mais uma bombástica obra prima. Sob o nome “To the Death”, Guiller (vocal/guitarra), Quinho (guitarra/backing vocal), Felipe (baixo) e Edu (bateria) prometem novamente estremecer o Brasil do Oiapoque ao Chuí e, com certeza, novas localidades no exterior.

O grupo atualmente vive uma fase excepcional e não esconde a felicidade por crescer no tão concorrido cenário do heavy metal. A reportagem conversou com o lider Edu Lane para saber como está a expectativa dos músicos para o lançamento de “To the Death”, as turnês internacionais e revelou que nunca deixaria o Brasil para abrir portas no mercado internacional.

O Nervochaos é um dos nomes mais respeitados da música extrema nacional ao lado de Krisiun e Torture Squad. Acredito que 2011 foi um ano e tanto para consolidar o nome da banda não apenas no Brasil, mas no Mundo inteiro, não?

Edu Lane: Obrigado pelas tuas palavras! De fato, trabalhamos forte para conquistar o nosso espaço, evoluir e atingir a nossa sonoridade própria. O ano de 2011 realmente foi muito produtivo e extremamente positivo para a banda. Fizemos a nossa maior e melhor turnê pela Europa, ao lado do RAGNAROK, fizemos shows na Índia, por grande parte da América do Sul e lançamos o nosso primeiro CD ao vivo. Ao todo, foram dois anos nesta turnê, onde fizemos 127 shows.

Afinal, estamos há mais de 15 anos na batalha, enfrentando diversas dificuldades, mas sempre lutando em prol do que acreditamos e a cada ano conseguimos evoluir em todos os sentidos. Nos últimos anos, procuramos ter uma maior frequencia de lançamentos e continuamos acreditando que uma banda se faz tocando ao vivo. Por isso, somos extremamente ativos em termos de shows e turnês. Uma batalha foi vencida, mas a guerra continua!

Acredito que o cenário do metal nacional nunca foi tão forte como nos dias de hoje. Atualmente, o Brasil dispõe de pelo menos 10 nomes fortes que poderiam tranquilamente fazer sucesso no exterior. Pela sua experiência, de tocar pelo país, de viajar o mundo, por que o cenário brasileiro não é tão bem-sucedido em relação a países menores como Suécia, Polônia, Finlândia que sempre estão revelando novos nomes e em evidencia em tão pouco tempo de existência? Qual é a sua visão sobre o cenário atual?

Edu Lane: Eu concordo contigo, mas penso diferente na questão de ser ou não bem-sucedido o mercado. Porque não acho que o cenário nacional não é bem-sucedido, pelo contrário, e sei ainda que, devido a todas as dificuldades que enfrentamos aqui (em todos os sentidos), somos até mais bem-sucedidos que esses outros cenários que você citou.

Talvez, a grande diferença (além da cultural e econômica) seja que, todos esses paises mencionados, fazem parte da Europa, então geograficamente é mais acessível o transito entre eles e as bandas conseguem, com muito mais facilidade, fazer turnês e assim conquistar um maior reconhecimento.

O cenário nacional cresceu e evoluiu muito em relação ao que foi uns anos atrás, talvez pela globalização que ocorre constantemente, talvez também, pela maior estabilidade econômica do país, mas não é fácil ter uma banda extrema no Brasil, tem que amar o que faz e ser guerreiro.

Vocês lançaram o disco “Live Rituals” que retrata mais uma passagem da banda pela Europa. Como surgiu a ideia desse projeto? Como vocês gravaram os shows e chegaram a esse resultado?

Edu Lane: Durante a nossa turnê pela Europa, acabamos gravando alguns shows. Tivemos a idéia de aproveitar a oportunidade e lançar o nosso primeiro CD ao vivo. Escutamos as gravações, escolhemos as melhores músicas, masterizamos o material aqui no Brasil (no Flames Studio) e rolou o CD ao vivo.

As gravações que ficaram com a gente depois da turnês, estavam todas em L e R, então masterizamos para equalizar melhor as frequencias e só. Não houve retoque ou regravações em estúdio de partes das músicas. Além disso, decidimos incluir duas músicas de estúdio, mas que são de difícil acesso.

Uma é o cover do BRUTAL TRUTH que fizemos para o tributo a banda (que foi lançado somente no exterior no ano 2000) e a outra faixa é a música que fizemos para o projeto HAMLET. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final do CD e a repercussão tem sido extremamente positiva por parte da mídia e do público.

“Battalions Of Hate” teve um feedback incrível, foi considerado um dos melhores álbuns lançados em 2010 e alguns fãs se arriscam a dizer que este é o melhor trabalho do Nervochaos até o momento. Qual é a motivação e determinação da banda agora durante o processo de gravação de “To the Death” para superar toda a repercussão conquistada em seu disco anterior?

Edu Lane: Realmente o CD “Battalions of Hate” foi muito bem recebido e acredito que até o momento é o nosso mais forte lançamento. Na minha opinião, o novo álbum “To The Death” está muito superior ao “Battalions of Hate”. A banda atualmente está com uma formação sólida e muito entrosada e, pela primeira vez, todos nós estivemos focados no processo de composição e gravação do novo CD.

O material novo é mais variado em termos rítmicos e de composição, com variações de tempo, solos e também algumas participações especiais de guitarristas fazendo solos em algumas músicas. Só o tempo realmente dirá se iremos superar o “Battalions of Hate” com o “To The Death”. Na minha opinião, com certeza iremos, pois vamos trabalhar ainda mais e mais forte do que fizemos no CD anterior.

Quais são as músicas que você particularmente está mais satisfeito em ter composto? Você acredita que é o melhor disco da sua carreira? O que você pode adiantar sobre este disco?

Edu Lane: Difícil escolher uma ou outra música, pois me orgulho de tudo que fizemos com a banda até hoje. Cada álbum representa bem uma etapa da banda e durante essa etapa, fizemos o melhor que pudemos. Como disse, estamos sempre em busca da evolução e da nossa sonoridade própria. É um trabalho sem fim, continuo, onde o objetivo é sempre superar o lançamento anterior e depois superar a turnê anterior e por aí vai.

O favorito acaba sendo sempre o lançamento mais novo, mas sempre permanecermos fiéis as nossas raízes e a nossa proposta. Falando do novo CD, ele se chama “To The Death”, tem 13 músicas inéditas.

A capa foi feita por Joe Petagno e a parte gráfica pelo Fernando Lima. Além disso, temos participações especiais do Jão (RATOS DE PORÃO), Zhema (VULCANO), Antônio (KORZUS), Bolverk (RAGNAROK), Ralph Santolla (OBITUARY/DEICIDE) e Morgan (MARDUK). Cada um fazendo os solos de uma música nossa, fico bem interessante. O CD será lançado pela COGUMELO em Março deste ano e seguido da nossa nova turnê.

Vamos falar um pouco das turnês. Qual foi o saldo da turnê asiática? Como surgiu esta oportunidade? Afinal, pouquissimas bandas estrangeiras tocam por lá?

Edu Lane: É verdade, são poucas bandas Brasileiras que tiveram a oportunidade de tocar por lá e poucas bandas estrangeiras também. É uma cena nova, em franco desenvolvimento e estruturação. Acho que a tendência, assim como a América Latina, é das bandas começarem a procurar e se interessarem por estes mercados, afinal a Europa e os EUA estão com mercados cada vez mais saturados e tem sido cada vez mais difícil por lá. A experiência para nós foi única e rendeu bons frutos.

Fizemos somente 3 shows por lá (uma vez que 10 dias antes de embarcarmos houve um terremoto que acabou gerando o cancelamento de outros 3 shows que faríamos) mas todos foram brutais e pretendemos voltar no final deste ano ou começo do ano que vem para mais shows e uma turnê mais extensa pelo território Asiático.

Como foi a turnê com o Ragnarok?

Edu Lane: Foi excelente. Nós fizemos 29 shows juntos pela Europa. Foram 13 países e posso afirmar que essa foi, até o momento, a nossa melhor turnê européia, em todos os sentidos. Além disso, o pessoal do RAGNAROK é muito gente fina e acabamos nos tornando bons amigos. Espero podermos fazer mais turnês com eles num futuro próximo.

O Nervochaos é uma banda que excursiona muito, principalmente no exterior. Vocês já cogitaram a hipótese de morar na Europa?
Edu Lane: Não, jamais faríamos isso. O Brasil é a nossa casa e é a nossa fonte de inspiração.

Depois de se apresentar em diversos países, existe algum local que vocês ainda almejam se apresentar? Qual foi o mais exótico ou a experiência mais estranha a qual vocês já viveram?
Edu Lane: Claro que sim, independente de qualquer coisa, para nós, todos os shows são especiais a sua maneira e queremos muito voltar para todos os países e lugares onde já tocamos. É claro que também queremos sempre tocar em locais novos. Acho que um dos lugares mais exóticos que tocamos foi a Índia. Também foi bem exótico ter tocado em Barcarena/PA, numa praia as margens do rio Amazonas. Ou em Macapá. Enfim, é difícil citar todos os lugares exóticos que tocamos, mas creio que os citados já dá um boa idéia.

O Nervochaos já tocou com diversos grandes nomes da música extrema como Venom, Cannibal Corpse, Napalm Death, Kreator, Dismember, Belphegor, Possessed, Mayhem, Carcass… Tem alguma banda a qual vocês ainda desejam dividir o palco?

Edu Lane: Existem ainda diversas bandas que gostaríamos de dividir o palco. Além disso, todas essas bandas que nós dividimos o palco, foi um enorme prazer e uma grande honra para nós. Poder dividir o palco com bandas que nos influenciam e nos inspiram é algo indescritível e inesquecível. Sempre aprendemos muito e com algumas destas bandas conseguimos até desenvolver um relacionamento de amizade muito legal.

O Nervochaos participou do “Tributo ao Vulcano” gravando versão para a música “Legiões Satânicas”. Como foi prestar homenagem ao grande precursor do metal nacional.

Edu Lane: Foi sensacional. Nós amamos o cenário nacional, em especial a primeira fase, nos anos 80. Participar do tributo ao VULCANO foi uma honra para nós e ficamos extremamente contentes quando fomos convidados.

Edu, quais são os próximos passos do Nervochaos?

Edu Lane: Bom, assim que o novo CD “To The Death” for lançado, daremos início a nossa nova turnê. Esperamos tocar mais e em mais lugares do que na turnê passada. Também temos o projeto de num futuro próximo lançar um DVD da banda. Fora isso, muito em breve, devem ser relançados os nossos primeiros CDs, o “Pay Back Time” e o “Legion of Spirits Infernal”, que estão fora de catálogo já há algum tempo.

Tudo o que sabemos sobre:

NervochaosRagnarokVenom

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.