Nazareth e suas boas histórias retornam em outubro

Estadão

06 de setembro de 2010 | 08h32

Marcelo Moreira

O escocês Dan McCafferty, da banda Nazareth, é um dos poucos cantores que podem se dar ao luxo de dizer que tem a voz como marca registrada. Na primeira nota que canta é possível reconhecê-lo, feito que poucos conseguiram – está na ilustre companhia de Ian Gillan (Deep Purple), Glenn Hughes (Deep Purple e Black Sabbath), Roger Daltrey (Who), Robert Plant (Led Zeppelin), Mick Jagger (Rolling Stones), Dio, Rob Halford (Judas Priest) e mais alguns.

Mundialmente famoso com a balada “Love Hurts” nos anos 70, ele e sua banda enfrentaram o ostracismo dos anos 80, mas conseguiram manter a dignidade na década seguinte. McCafferty é um cara afável, que poderia perfeitamete passar por um motorista de caminhão que encontramos nas estradas: cara de mal, mas muito bem humorado depois de cinco minutos de conversa.

O Nazareth conseguiu voltar a ter relevância justamente depois de uma pssagem pelo Brasil há três, quando fez uma turnê extensa pelo país e acabou lançando em seguida um CD e um DVD ao vivo gravados em Curitiba. Novamente deixavam o ostracismo momentâneo e desfrutavam de um merecido reconhecimento, ainda que tardio.

Foi naquela turnê que o grupo finalizou as composições do álbum “The Newz”, lançado em 2008. A foto da capa, inclusive, mostra McCafferty lendo um jornal catarinense. O trabalho foi muito bem recebido por fãs e críticos e rendeu convites para tocar em quase todos os festivais de verão europeus em 2009.

Em tom de agradecimento, o tiozão McCafferty retorna ao Brasil em outubro para uma turnê de dez shows. Ele e a banda Nazareth ainda divulgam o álbum “The Newz”. “Não vejo a hora de rever os amigos e a tal da caipirinha”, escrevem em um fórum de internet sobre o grupo.

Em 1990 o Nazareth visitou o Brasil pela primeira vez, ao lado de outro ícone do hard rock britânico, o Uriah Heep. Os dois grupos viviam um período de ocaso em suas trajetórias, mas não economizaram elogios à receptividade que tiveram em São Paulo.

Já não lotavam mais arenas e vendiam apenas um décimo de álbuns do que costumavam vender nos anos 70, mas demonstravam um prazer genuíno em tocar para uma plateia desconhecida. “Tocar duas noites lotadas em São Paulo foi um dos cinco fatos marcantes de minha carreira. Fazia tempo que não éramos mais sucesso, mas fomos tratados como rock stars e percebemos que éramos queridos”, disse o cantor após o segundo show, em um dos botecos ao lado do Olympia, tomando uma água com gás.

McCafferty é um cara simples, de hábitos simples e muito franco. Aprecia andar pelas cidades novas que conhece quando toca e adora jogar conversa fora em bares discretos, mesmo que isso signifique assédio de alguns fãs inconvenientes – e frequentemente alcoolizados.

Naquele distante ano de 1990, ao lado de Trevor Bolder, baixista do Uriah Heep, Dan McCafferty contou em um acanhado e barulhento boteco “sujinho” da Vila Romana, em São Paulo, histórias saborosas da vida rock’n roll pelo mundo. Vai ser bom revê-lo em São Paulo no dia 20 de outubro. Para quem gosta de hard rock bem feito e de qualidade, Nazareth é um show obrigatório.

Turnê da banda:

11 de Outubro – Guarapuava (Centro de Eventos Pahy)
12 de Outubro – Pato Branco (Clube Pinheiros)
14 de Outubro – Caixas do Sul (Centro de Eventos Unidos do Erval)
15 de Outubro – Joacaba (casa de shows a definir)
16 de Outubro – Lages (Centro Serra)
17 de Outubro – Canoinha (Centro de Eventos A Firma)
20 de Outubro – São Paulo (Carioca Bar)
21 de Outubro – Vacaria (Jockey Clube)
22 de Outubro – Curitiba (Moinho Sao Roque)
23 de Outubro – Florianópolis (Floripa Music Hall)

Curta o Nazareth no Brasil em 2007:

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