Em paz com o passado, Nasi curte a serenidade

Estadão

26 de agosto de 2013 | 06h50

Marcelo Moreira

A ira não se extinguiu, mas lentamente vai dividindo o espaço com a serenidade. Quase um ano após lançar duas tijoladas no mercado – o CD “Perigoso”, o melhor de sua carreira solo, e uma autobiografia reveladora -, Nasi respira fundo e tenta acertar de novo algumas contas com o passado. O ex-vocalista do Ira! já tinha se reconciliado com o pai e com o irmão Júnior em 2012, e agora é a vez do ex-companheiro de banda Edgard Scandurra, um dos grandes guitarristas brasileiros do nosso tempo.

Nasi evita “comemorar”, mas é nítido que ele vive um dos seus melhores momentos, tanto na vida pessoal como na artística. “A Ira de Nasi”, o livro que lançou no ano passado com as colaborações dos jornalistas Mauro Beting e Alexandre Petillo, teve um efeito libertador de cinco anos de brigas, discussões, disputas judiciais e muito rancor. Foi a oportunidade passar a limpo a turbulenta e acidentada carreira, ao mesmo tempo em que conseguiu atar nós desfeitos com ira e pouco discernimento. “O livro teve um efeito positivo, e de várias maneiras. Foi interessante revisitar muitos fatos e determinantes na minha vida.”

Relaxado em sua casa confortável na zona oeste de São Paulo, o ex-vocalista do Ira! recebeu a equipe do Combate Rock para quase três horas de conversa franca e bem humorada, que vão se transformar no programa de web rádio Combate Rock nº 100, que irá ao ar no site do Território Eldorado/Estadão.com na próxima sexta-feira, como parte das comemorações de dois anos anos programa e de três anos do blog.

De cara adiantou que foi dele a iniciativa de ligar para Scandurra e encerrar as animosidades. “Faz alguns meses que decidi ligar para ele e acabar com as farpas. Liguei e disse que, da minha parte, não haverá mais fofoca, diz-que-me-diz. Não falarei mais mal dele na imprensa. Quis me posicionar para que ele saiba que, a partir daquele momento, o que saísse de ruim sobre ele nos jornais não partiria de mim. Quis virar essa página. Acredito que ele encarou bem e foi receptivo, o que não quer dizer que seja uma reconciliação.” Scandurra até agora não quis comentar o fato.

Nasi e Scandurra, os motores do Ira!, praticamente não se falavam desde o fim da banda, em 2007, ocorrido em meio a brigas e disputas judiciais. Após cinco anos nos tribunais, quase todas as questões judiciais estão resolvidas, inclusive a questão dos direitos sobre a a marca Ira!, agora de posse definitiva do ex-vocalista. “Qualquer coisa que ocorra com esse nome terá de passar por mim e pela minha autorização. Ou seja, uma eventual volta do Ira! passa pela minha decisão, mas não existe nada neste sentido em vista. Aliás, acho bem improvável que isso aconteça – e com certeza, não ocorrerá da forma como era, com as mesmas pessoas que tocaram na banda.”

Foto: Patrícia Barcelos/DIVULGAÇÃO

O foco total é na carreira solo. “Perigoso” é o melhor álbum de sua carreira solo – terceiro com o seu nome, mas que inclui ainda outros três com a banda os Irmãos do Blues. Sem saudosismo, mas com método, decidiu gravar o álbum como se estivesse produzindo um LP de vinil: no máximo dez músicas, cinco de cada lado, não ultrapassando 40 minutos de música. Sua banda, afiadíssima, entendeu o recado e entregou um disco orgânico, redondo, com cinco canções autorais e cinco versões.

“Sou compositor, mas antes de tudo um intérprete. Selecionei um material que tinha a ver com o meu estágio de carreira e pessoal e o resultado foi muito satisfatório. Ainda mantive o esquema de ‘gravar ao vivo’ no estúdio, para sentir as músicas e ver como funcionavam. ‘Perigoso’ é um disco do Nasi, mas na verdade é de uma banda, e é isso que eu prezo, mesmo sendo um artista solo: fazer parte de uma banda, tocar com ela e fazer com que ela tenha uma participação integral e profunda com o que está sendo tocado. Fui agraciado com a oportunidade de tocar com músicos extraordinários, que me empurram e que me dão suporte em todos os sentidos”, diz Nasi.

O cantor detalhou todo o processo de gravação e produção de “Perigoso” nas quase três horas de conversa gravada que vai se tornar o o programa Combate Rock nº 100. Além disso, falou sobre as mudanças em sua voz ao longo de 30 anos de carreira, dos novos projetos – um deles com o produtor Apollo 9 – e sobre alguns detalhes do fim do Ira!. A íntegra do papo poderá ser ouvida ao longo das próximas duas semanas no programa de web rádio Combate Rock, no site do Território Eldorado, abrigado no Estadão.com. O programa pode ser acessado diretamente clicando aqui ou então acessando este blog a partir da tarde da próxima sexta-feira, dia 30 de agosto.

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