Nashville Pussy, ao vivo e muito alto

Estadão

10 de fevereiro de 2011 | 16h28

Marcelo Moreira

Uma banda de boteco, todos os seus integrantes bêbados e com músicas ostentando letras sacanas, sexistas e recheadas de palavrões. Tudo isso muito alto, bem barulhento, numa espécie de mistura de AC/DC com Motorhead. Isso é o mínimo que se pode esperar de uma apresentação da banda norte-americana Nashville Pussy.

“Live in Rennes 1998”, é o primeiro registro ao vivo em áudio da banda e o terceiro DVD. O pacote deve chegar ao mercado em janeiro ou fevereiro de 2011, “dependendo da competência de quem está vendendo”, diz de forma bem humorada o site do quarteto.

A formação já inusitada, dois homens e duas mulheres, sendo o casal de guitarristas os líderes e donos do negócio – Blaine Cartwright, que também é vocalista, e a canadense Ruyter Suys também são casados fora do palco. Completam a formação o bom baterista Jeremy Thompson e a baixista Karen Cuda.

Já são seis álbuns gravados desde 1996, ano de formação da banda. Eles não se levam muito a sério, tanto que como negócio o Nashville Pussy insiste em não decolar, apesar de serem idolatrados na França e na Inglaterra. O quarteto parece não se importar com turnês intermináveis e lançamentos frequentes de produtos e merchandising.

“Se a ideia fosse ficar rico e fazer dinheiro rápido com certeza iríamos fazer dance music ou qualquer outro lixo pop que fosse acessível, e não ficar tocando em botecos nojentos pela Europa e América do Sul cantando sobre vaginas, sexo na estrada, bebedeiras e coisas doces semelhantes”, afirmou Cartwright após uma eletrizante e energética apresentação no Inferno Club, em São Paulo, em setembro de 2007.

Sua mulher, a desinibida e libidinosa Ruyter Suys (pronuncia-se Raiter Sis), foi mais explícita: “Queremos tocar, nos divertir, beber muito e conhecer muita gente legal. Se ganharmos muito dinheiro, maravilhoso; se ganharmos algum, ótimo; se não ganharmos, não é muito bom, mas ok se a bebida for de graça…”

Formação atual do Nashville Pussy: Cartwright (esq.), Karen Cuda, Thompson e Ruyter Suys

Seja como for, a banda é seletiva com seus compromissos, o que não quer dizer que sejam preguiçosos ou que estejam em situação financeira tão confortável que possam dispensar trabalho.

“Pelo nosso jeito ‘despojado’, ‘desinibido’ e pelo conteúdo ‘nada ofensivo’ de nossos temas, é possível imaginar que não sejamos um estouro de sucesso nas paradas mundiais”, afirma Ruyter às gargalhadas.

“Assim sendo, não é que nos recusemos a trabalhar, é que precisamos analisar bem se vale a pena financeiramente cada empreendimento. Se não ganhamos rios de dinheiro, ao menos não podemos perder o pouco que recebermos, senão o que é diversão sempre perde parte do encanto”, completa a guitarrista, entre uma cerveja e outra.

O CD ao vivo prestes a ser lançado traz uma apresentação ainda melhor do que aquela registrada no DVD “Keep On Fucking – Live in Paris 2003”. O som é tosco e sem requinte – exatamente como deve ser um legítimo som de boteco extremamente alto.

Para quem gosta de festa, muita zoeira e rock sem frescuras, Nashville Pussy é o ideal. O único senão na formação atual é a baixista Karen Cuda, que é menos técnica que as outras que passaram pela banda – Corey Parks, a melhor de todas, Tracy Almazon (que deixou a banda para se tornar advogada) e Katielyn Campbell.

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