'Não vamos parar', diz Liam Gallagher sobre nova banda

Estadão

12 de junho de 2013 | 22h00

DES SAMPSON , ESPECIAL PARA O ESTADO – LONDRES – O Estado de S.Paulo

Depois de ser parte de uma das maiores bandas – e eles defendem que se tratava da melhor – de sua geração, Liam Gallagher, Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock poderiam ter largado a música de vez quando a fonte de inspiração do Oasis cessou. Afinal, quem poderia competir com a atenção e prêmios que o grupo ganhou em 18 anos, os sete álbuns no topo das paradas e os 70 milhões de CDs vendidos? Deveriam eles mesmo tentar?

A resposta dos rapazes foi formar uma nova banda, o Beady Eye, um grupo com uma visão muito diferente da sua musica. O novo álbum BE, foi produzido por Dave Sitek, mesmo da banda TV On the Radio, de Nova York. Sua abordagem não ortodoxa e seu conhecimento enciclopédico de música, que já transformou álbuns dos Yeah Yeah Yeahs, Liars, Foals e Jane’s Addiction em obras de arte, ajudou o Beady Eye a atingir um novo patamar.

Em entrevista, Liam Gallagher confessa que está feliz com o álbum, mas que não fez (e não pretende fazer) as pazes com seu irmão.

Quando Noel deixou o Oasis, você se preocupou com qual seria o seu futuro na música?

Sim, nós nos preocupamos, e a preocupação durou em torno de oito minutos. E agora? Para onde vamos? Direto para a p*** do pub! Foi isso que nós fizemos. Eu disse: “Todos se acalmem, bebam uma cerveja e depois vamos gravar”. Nós não brincamos. Você não para de fazer música somente porque Noel Gallagher coloca o tapete em cima, entende? Caso contrário, você é um idiota. E nós não éramos de nenhuma forma. Nós fazemos música há tantos anos. Eu, Andy, Chris e Gem. Nós não vamos parar.

Parece que você se divertiu bastante fazendo este álbum.

Sim, é verdade. Deixamos nossa integridade na porta – não porque somos decentes. E deixamos o produtor tentar coisas diferentes. Ele se tornou um quinto membro da banda, entende? Ele foi em várias direções e nós fomos com ele, seguindo o fluxo, até que o fluxo não seguia mais, até que não queríamos mais o fluxo. Mas o fluxo era legal e fomos com ele na maioria do tempo.

Gravar com o Dave Sitek foi muito diferente para você?

Sim. Muitos produtores são excessivamente chatos e ouvem várias vezes tudo que foi feito, cada parte, fazem várias anotações e dão opções. Isso os fazem ser chatos. Você começa a se preocupar com a música, as palavras, como você está cantando as palavras – e para de sentir a música. E o bom de trabalhar com o Dave foi isso. Ele nos deixa fazer o que sentimos ser o certo.

Há vários embelezamentos em certas músicas, o que, imagino, permite a você explorar várias correntes musicais ao vivo.

Sim, honestamente, sem dúvida. São como mantras. Você se concentra naquilo. É ótimo.

Você está feliz com o álbum?

Eu estou orgulhoso dele, é bom. Não é perfeito, mas tem alguns momentos mágicos e todos vão ficar felizes de escutar – até ele.

Ainda há aquele sentimento de que vocês são uma banda razoavelmente nova?

Sim, nós somos uma banda razoavelmente nova, com toneladas de experiência. É bom. Nós somos a banda mais velha e nova disponível no momento e este é um ótimo lugar para se estar.

Como estar em um banda completamente diferente do Oasis muda a dinâmica? Você se sente mais livre por conta de um maior envolvimento individual? E, de alguma maneira, se sentia de lado no Oasis, pois não contribuía tanto?

Nós contribuímos bastante com o Oasis, eu acho, mais no final. O lance é que ainda era a coisa do Noel. Mas este é o nosso lance. Com este, nós fazemos tudo, a capa do álbum, os vídeos, o todo. E é superdivertido, cara. Não é somente a música. É cada coisa. Mesmo fazer essas entrevistas é importante, porque se você não consegue falar do seu álbum de um modo decente, então, provavelmente, o que fez não é bom. Agora, está tudo sob o mesmo teto, enquanto o Noel costumava fazer todas as entrevistas com o Oasis porque a banda era um lance dele. Este é um lance nosso.

Você acha que vai continuar fazendo música por muito tempo?

Eu não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Fora o fato de que somos todos amigos, a música e o som que fazemos é o que nos mantém indo para frente. É isso. Mesmo os tempos ruins são bons. Os tempos ruins são bons cara. São! Os momentos m**** desta banda são melhores que em muitos outros trabalhos.

Você fez 40 anos em 2012. Foi um momento de reflexão?

Sim, foi. Não, eu não mudei nada. É só a p**** do número. Mas 40 é o novo 18, não é? Você vai mudar quando mudar; vai fazer essa mudança quando tiver que ser, seja aos 40, 40 e meio, entende? Você faz o que tem que fazer quando faz. Um número não importa. Não interessa a idade que você tem.

Seria a letra de Don’t Brother Me um pedido de reconciliação ao Noel? Parece ser…

Sim, parece, mas não é. É somente uma música. São só palavras. É daqui (ele aponta para a cabeça) para cá (aponta para o coração). Há coisas sobre a nossa criança, há coisas sobre irmãos, há coisas sobre mim, há coisas sobre irmãos em geral. Mas, definitivamente, não é um pedido de reconciliação. Eu não preciso de uma música para me desculpar. Se eu tiver qualquer coisa para me desculpar, eu pego o telefone e falo “E aí, idiota… Desculpa”.

Então vocês já fizeram as pazes?

Não, não, não. Eu o vi outro dia em um jogo de futebol e disse para ele: “Tudo bem?”. Mas não fiz nada assim sem sentido, fora do normal. Assim como aquela canção também não foi escrita conscientemente sobre o Noel ou a minha relação com ele.

De alguma maneira é melhor que vocês sejam um grupo pequeno – não como um Oasis -, assim não há toda aquela pressão?

Nós não estamos tristes porque não somos grandes, mas nós somos grandes, cada um de nós, à nossa maneira… Somos enormes. Sei que a banda não é grande, mas nós somos grandes em nossas mentes e, potencialmente, somos enormes!

Você diria que agora tem um novo foco estando no Beady Eye? Soube que vocês se mantiveram longe da confusão que já experimentaram nos anos 1990.

Sim, isso significa que não houve perda de rumo, nada de cheirar cocaína na mesa de som ou na cabeça dos produtores, entende? Aquele tempo era louco. Agora, nos comportamos e fomos em frente. Mas nós sempre estamos tentando fazer isso na realidade.

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