Não foi tempo perdido – a caixa de luxo da Legião Urbana

Estadão

31 de outubro de 2010 | 15h12

 Lauro Lisboa Garcia

O trocadilho infame todo mundo já fez, mas desta vez o legado da Legião Urbana volta com um pouco além de “mais do mesmo”. A propósito dos 25 anos do lançamento do primeiro álbum, toda a discografia de estúdio da banda chega às lojas na segunda-feira em três formatos (CDs avulsos, caixa de CDs e discos de vinil), com algumas novidades.

Não espere, porém, faixas bônus, takes alternativos, coisas do gênero. Isso vai ficar para outra ocasião, segundo o guitarrista Dado Villa-Lobos. “Lembro de Juízo Final, de Nelson Cavaquinho que a gente gravou para o segundo disco e não entrou porque não cabia. Tem também uns ensaios em estúdios com temas que a gente nunca gravou”, diz Dado. A novidade é que os oito discos ganharam edições de qualidade superior às anteriores.

As versões remasterizadas em Abbey Road já tinham saído em 1995. Os atrativos para os fãs agora são as fotos inéditas, textos exclusivos de Christina Fuscaldo sobre as circunstâncias em que cada disco foi gravado, e o formato digipack do CD, além dos LPs. Dois deles saem pela primeira vez em vinil, “A Tempestade” (1996) e “Uma Outra Estação” (1997), lançado depois da morte do cantor e letrista Renato Russo (1960-1996).

Os demais, que saíram primeiro em LP, voltam com vinil de melhor qualidade e capas duplas (as originais eram simples). “Na época a gente não teve um vinil tão bom. Esse tem uma gramatura alta, muito boa”, atesta Dado.

Os valores nas lojas são salgados, e esses dois discos inéditos são duplos, ao preço (sugerido pela gravadora EMI) de R$ 190 cada. Os demais custam cada R$ 120 (“As Quatro Estações” e “Descobrimento do Brasil”) e R$ 140 (“Legião Urbana”, “Dois”, “Que País É Este?” e “V”). Os CDs vendidos separadamente devem custar em torno de R$ 30 e o box, com tiragem limitada de 2 mil exemplares, sai por R$ 350.

“Vai vender tudo.” A brincadeira com o “mais do mesmo” (título da faixa que encerra “Que País É Este?”) não é só pela falta de novidade de conteúdo. É que esse tipo de investimento acaba levando os mesmos fãs, que têm uma devoção pela banda comparável a Elvis Presley e Beatles, a comprarem tudo de novo. Qualquer item interessa e vende.

Além do mais, o rock da Legião continua tendo apelo para outras gerações. Por isso o alto custo não representa risco. “A gente não começou a vender sabonete ainda”, brinca o baterista Marcelo Bonfá. “São só mil cópias de cada vinil. Vai vender tudo. Acho que tem gente que vai comprar e nem vai ouvir.”

Segundo Dado, não foi feita nenhuma pesquisa sobre a demanda de público para um lançamento de luxo como este. “O catálogo sempre esteve à venda, as novas geração vão lá e compram. A última notícia que tivemos é que foi lançado um pacote mais barato nas Lojas Americanas, e foram vendidas 500 mil cópias”, conta.

“Acho que isso é um sinal de que todas as mídias estão aí para sobreviver. Isso fortalece todo mundo, a indústria, o Brasil, a percepção de que é possível se vender música hoje. Vejo isso como um sinal muito positivo.”

“Música Para Acampamentos” e o “Acústico MTV”, ambos ao vivo, ficaram de fora.