Músicos do rock apoiam os protestos no Brasil

Estadão

30 de junho de 2013 | 16h08

 do blog Roque Reverso

Max Cavalera - Foto: Reprodução do YouTubeAtentos aos protestos históricos que se espalharam por todo o Brasil, músicos brasileiros do rock também se posicionaram sobre o momento atual vivido pela população do País. Nas redes sociais, figuras importantes, como Max Cavalera, Andreas Kisser, Clemente, dos Inocentes, e a cantora Pitty, apoiaram as manifestações, mas repudiaram os diversos atos de violência e vandalismo que uma minoria oportunista praticou.

Alguns deles também deixaram clara a preocupação com os ataques isolados e posturas que só atrapalham a democracia.

Um dos primeiros a se manifestar nas redes sociais foi Max Cavalera. Ex-vocalista e guitarrista do Sepultura e atual líder das bandas Soufly e Cavalera Conspiracy, ele liberou um vídeo na internet com apoio aos protestos, mesmo morando há mais de 20 anos nos Estados Unidos.

Comovido com o grande número de pessoas que usou músicas e letras históricas do Sepultura que incentivavam a atitude, como a clássica “Refuse-Resist”, ele afirmou que não estava pessoalmente com os brasileiros, mas espiritualmente. “Queria dar a minha força para vocês; a força para o povo brasileiro”, disse. “Queria dizer que, se quiserem usar minhas músicas como inspiração, para mim seria uma honra”, enfatizou Max, que sempre foi um dos maiores responsáveis pelo Sepultura ter se tornado uma das bandas mais politizadas de todo o heavy metal.

Ex-companheiro de Max no Sepultura e atual guitarrista do grupo, Andreas Kisser também falou sobre as manifestações. Também dos EUA, onde está gravando o novo álbum da banda que atualmente lidera, ele divulgou para o Diário de Pernambuco (jornal que está acompanhando o processo) um vídeo em que mostra o seu apoio aos protestos pacíficos.

“A gente aqui de longe está mandando toda a força do mundo para o povo brasileiro para que a gente possa mudar alguma coisa e fazer um país melhor para nossos filhos”, comentou Kisser, lembrando que os filhos dele estavam nas manifestações.

O guitarrista repudiou, porém, os atos de violência e vandalismo que não ajudaram em nada. “Está ridículo ver esse pessoal pichando e saqueando lojas. A gente reclama que o governo rouba e, depois, o povo vai lá e rouba”, lamentou. “Não pode acontecer isso”, reclamou.

Em São Paulo, a cantora Pitty participou de passeatas e postou mensagens via Twitter. Vibrou com todo o momento histórico, mas também deixou clara a insatisfação com quem adotou uma postura violenta ou conservadora. “Esse lance de hino, retaliação de partido (lembram, é democracia!) e ultranacionalismo é a maior roubada, hein. Se liga”, escreveu.

Mais velho que os outros três, o vocalista Clemente, que lidera o grupo punk Inocentes, foi o que mais alertou para o atual momento de surgimento de alguns movimentos perigosos para a democracia. No Facebook, ele, que também é atualmente guitarrista e canta na banda Plebe Rude, lembrou dos tempos da ditadura e criticou os mais conservadores e direitistas.

“Quando os militares deram o golpe militar em 1964, eles chegaram ao poder ovacionados por 80% da população. Renan Calheiros e Feliciano chegaram ao poder porque existe uma grande massa que vota nesses caras, uma massa ultra conservadora. Porque essa massa está calada agora? Eles têm tanto ódio do PT e da democracia, que até aceitam se juntar a grupos de extrema esquerda, para acabarem com tudo”, afirmou Clemente. “Você acha mesmo que seu vizinho homofóbico, racista, que odeia pobre e é de direita, realmente mudou? Um belo dia acordou e resolveu lutar pelas causas mais nobres desse país? A quem interessa um movimento sem causas claras, contra tudo e contra todos, sem ideologia e acéfalo? A quem interessa o caos?”, questionou.

E relatou: “Ontem quando saí às ruas senti muito medo, pois não era um movimento, era apenas uma turba incontrolável. E, toda vez que isso acontece, arranjam um salvador da pátria, que nunca é o que esperávamos. Eles só estão esperando a poeira baixar para assumir o poder, ovacionados por uma grande massa conservadora e reacionária. Atenção, jovens, eles não usam bala de borracha.”

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