Música medieval resgata Ritchie Blackmore

Estadão

28 de setembro de 2010 | 08h16

Marcelo Moreira

Genioso, mimado e autoritário, um dos maiores guitarristas do rock decide abandonar a estrada, se interna em sua nova casa de campo em um Estado montanhoso dos Estados Unidos e começa a criar o seu novo projeto, um grupo de música medieval acústico, tendo a própria mulher como vocalista, com o uso eventual de instrumentos elétricos, e de preferência com canções a serem executadas somente em castelos europeus.

O que seria maluquice para qualquer artista bem-sucedido virou o principal projeto da carreira de Ritchie Blackmore, o fundador do Deep Purple, um dos mais importantes grupos de rock. Blackmore’s Night é o quinteto de folk rock formado pelo guitarrista de 66 anos em 1997 ao lado de Candice Night, sua esposa desde 1992. A dupla acaba de lançar seu novo trabalho, “Autumn Sky”, o nono da carreira – o oitavo de estúdio.

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O grupo surgiu depois do desencanto do guitarrista com o fracasso da segunda encarnação da banda Rainbow, que ele criou em 1975 ao sair da primeira vez do Deep Purple. O Rainbow durou até 1984, quando Blackmore e o vocalista Ian Gillan articularam a volta do Purple com a sua formação clássica.

Mesmo com muitas brigas, Blackmore aguentou o Deep Purple somente até 1993, quando brigou com todos os membros. Um ano de molho foi o suficiente para ressuscitar o Rainbow, que durou somente um ano, acabando em 1996 por conta de vendas baixas de ingressos e CDs.

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A banda Blackmore's Night

A maluquice da música medieval acabou se revelou a decisão mais acertada do guitarrista às portas do século XXI. “Under a Violet Moon”, de 1997, a estreia do Blackmore’s Night em CD, causou um impacto tão grande no mercado que logo se transformou em sucesso de vendas na Europa.

E a premissa inicial foi posta à prova: gravar CDs e fazer shows somente em castelos medievais, “para aproveitar a acústica inigualável destes locais imporváveis e majestosos”, segundo o próprio Blackmore na revista norte-americana Rolling Stone.

E assim foi durante as três primeiras turnês do grupo, tocando quase semrpe e somente na Europa, com poucas escapadas para os Estados Unidos e Japão.

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O casal Ritchie Blackmore e Candice Night (sentados à frente) em sessão acústica na Europa

Grande parte do sucesso deve-se à excelente performance de Candice Night, a bela esposa. Afinada e muito técnica, consegue imprimir a delicadeza necessária à maioria das composições, ser perder a força e a agressividade nas múisicas mais aceleradas, como algumas versões para clássicos do Deep Purple.

Blackmore, por sua vez, mostra-se muito à vontade tocando alaúdes, violas renascentistas e outros instrumentos medievais, surpreendendo até mesmo os fãs que sempre souberam de suas influências eruditas, que vão de Beethoven a Haendel, Vivaldi e Paganini.

“Autumn Sky”, o álbum, é provavelmente o mais inspirado da banda. O nome é em homenagem à filha única do casal, Autumn Esmeralda, nascida no ano passado. A cada álbum a banda se aproxima um pouco mais do rock, mas nada que obscureça o folk meedieval e renascentista.

Os destaques “Barbara Allen”, “HIghland”, “Dance Of The Darkness” e “Health To The Company”. Para quem se interessar, vale a pena adquirir também “Past Times and Good Companies”, CD duplo ao vivo de 2004, e o DVD “Paris Moon”.

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