Música brasileira inspira novo CD de Esperanza Spalding

Estadão

07 Abril 2011 | 23h30

do Jornal da Tarde

Uma das boas novas do jazz, a cantora, compositora e baixista americana Esperanza Spalding, 26 anos, tem uma ligação estreita com o Brasil. Como cabelo assumidamente armado e pele mulata, Esperanza já declarou várias vezes seu amor à música brasileira, de Egberto Gismonti a Hermeto Pascoal, passando por Baden Powell e Vinicius de Moraes.

 Já namorou um brasileiro, o músico João Brasil. Gravou com Ana Carolina a música Traição. E não é figura estranha por essas bandas: já se apresentou algumas vezes por aqui, entre elas, no Tim Festival, em 2008, e no show de abertura de George Benson, em 2009, em São Paulo.

Mario Anzuoni/Reuters

Mario Anzuoni/Reuters – Cantora lança ‘Chamber Music Society’

 Uma relação já esboçada no primeiro álbum, Junjo (2005), e que ela estende agora, com força e segurança, para seu terceiro CD Chamber Music Society, com produção dela e de Gil Goldstein. Muitas são as referências brazucas no novo trabalho autoral da cantora, dada aos improvisos vocais e ao primor sonoro. O jazz é a matriz de sua música, isso é uma certeza irrefutável. Mas Esperanza, uma curiosa por outras sonoridades, amplia o leque de suas influências musicais. 

A tal referência brazuca está muito clara em, ao menos, dois momentos de Chamber Music Society. Na canção Apple Blossom, ela chamou Milton Nascimento para um belo dueto em inglês. “Obrigada, Milton, por sua gratificante e mágica contribuição nesta gravação. Você tornou meu sonho realidade. Te amo”, endereçou Esperanza ao cantor brasileiro no encarte do álbum.

 Além disso, ela dá versão personalizada a Inútil Paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, cantando num português quase perfeito. Fora os indícios de bossa nova dispersos ao longo das faixas. Uma cantora de poucas palavras e muito virtuosismo.

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