Muito mais do que uma aula de música com Rush

Estadão

10 de outubro de 2010 | 20h00

Marcelo Moreira

FOTOS: JF DIORIO/AE

“Pai, eles vão tocar a música do MacGyver?” Pode não ser a melhor referência para o garoto de 12 anos, mas já é alguma coisa. O show do Rush na última sexta-feira, no Estádio do Morumbi, foi retratado o tempo todo na imprensa brasileira com o clichê do “encontro de gerações” – como ocorreu nas apresentações recentes por aqui de AC/DC, Heaven and Hell (Black Sabbath), Aerosmith…

Como nos shows citados, a presença do Rush apenas e tão somente celebrou a boa música, o som de qualidade que o trio canadense faz há 40 anos, e que maravilhou os cerca de 40 mil presentes ao estádio –provavelmente o dobro do público que o intragável SWU registrará em Itu nos três dias.

Não houve clima de comoção e devoção como em 2002, quando os três músicos vieram pela primeira vez ao País. Houve reverência, como não poderia deixar de ser.

Jovens admiravam a técnica absurda de Geddy Lee (baixo e voz), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria). Os mais velhos, alguns de olhos fechados, apenas sorriam. Não é sempre que se escuta ao vivo um pouco de algumas das melhores músicas já feitas.

Se o repertório de 2001 foi bem mais variado e recheado de hits – o duro é achar uma música da banda que não seja um hit ou um clássico –, o deste ano foi mais conciso e cheio de surpresas. “The Spirit of the Radio” abriu de forma magistral, mas sem comoção.

“Marathon”, “Stick It Out” e “Presto”, duas excelentes canções dos anos 80, provocou curiosidade – são pouco conhecidas do público brasileiro – e preocupação, pois temia-se uma apresentação obscura e intimista.
Os sorrisos voltaram quando vieram os clássicos “Time stand still”, “Subdivisions”, “2112 Overture / The Temple of Syrinx” e “Closer to the Heart”.

As primeiras surpresas foram a execução de duas músicas que deverão estar no próximo palbum, “Clockwork Angels”, a ser lançado em 2011. Muita gente jáa conhecia “Caravan” e “B2UB”, que podem ser ouvidas no site da banda ou adquiridas pelo iTunes.

A maior surpresa, entretanto, veio após um breve intervalo. A grande obra do Rush, “Moving Pictures”, de 1981, foi executada na íntegra, extasiando o público. “Tom Sawyer”, a música do MacGyver, incendiou o público, que delirou ainda quando a instrumental “YYZ” foi executada, com todos cantando a melodia nota por nota.

“Red Barchetta”, “Witch Hunt” e “The Camera Eye” não deixaram o povo perder o fôlego. No bis, um final digno: “La Villa Strangiato” e “Working Man”, esta do primeiro álbum da banda, de 1974, com algumas firulas exóticas.

Quando se vai a um show do Rush, espera-se um show fantástico. Sorte de quem vai, porque a banda entrega bem mais. E o garoto que queria escutar “Tom Sawyer”, a do MacGyver, ficou mais do que satisfeito, pois curtiu muito mais do que imaginava com a inundação de música de qualidade – duas músicas do Rush ensinam muito mais do que todo o repertório de todos os artistas juntos do dispensável SWU.

E apenas para registro: MacGyver era o personagem de um seriado norte-americano popular no Brasil nos anos 80, que tinha o título de “Profissão Perigo” por aqui. O tema da vinheta para anunciar a série escolhido pela TV Globo foi “Tom Sawyer”.

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