Mr. Big resgata a autoestima

Estadão

01 de março de 2011 | 16h32

Marcelo Moreira

Uma das maiores decepções da miha vida roqueira foi a audição do primeiro álbum do Asia, autointitulado, em 1981. Tratava-se então de uma superbanda, com integrantes do Yes, King Crimson e Emerson, Lake and Palmer. Não tinha como ser ruim, mesmo em tempos de rock progressivo em baixa. Quando ouvi, detestei,  já que era pop demais, comercial demais. ou seja, pensamento coerente para um garoto roqueiro de 12 anos que já gostava de peso.

Somente os anos e milhões de audições de tudo quanto é coisa é que pude perceber que o Asia é uma excelente banda. Comercial, bem mais acessíel e bem pop, mas de exrema qualidade, muito bem tocado e músicas bens construídas. Não é minha banda de cabeceira, mas respeito bastante e aprecio.

Aplico o mesmo raciocíni ao Mr. Big, outro supergrupo, desta vez de hard rock, com expoentes de utras bandas importantes, como Billy Sheehan, baixista de David Lee Roth, e Pal Gilbert, que foi do Racer X. Após dez anos de separação, o quarteto volta com álbum novo, “What If…”, que nada fica a dever aos três primeiros álbuns da banda.

O som sempre foi acessível e comercial, mas a banda soube escapar da armadilha que vitimou quase todas as bandas de hard rock farofa americanas dos 80. Sempre apostou na diversificação e na variedade.

 

Por mais que ainda seja, de certa forma, refém do hit brega “To Be With You”, balada melosa e intragável, conseguiu fazer em seus seis álbuns anteriores uma mescla prodigiosa de músicas mais pesadas e outras totalmente calcadas no blues, sempre tendo a guitarra de Gilbert como eixo principal – como o Dokken nos tempos de George Lynch.

Há virtuosismo e talento de sobra, composições de qualidade e bastante energia, mesmo que o vocalista Eric Martin esteja mais contido e mais cerebral, evitando os exageros que quase sempre carcaterizaram o hard rock.

Produzido por Kevin Shirley (Irn Maiden, Dream Theater), o trabalho soa moderno sem desligar o quarteto das características que o consagrou. Foi gravado em setembro de 2010, em Los Angeles e mixado em 4 semanas. Billy Sheehan afirmou ao site Blabbermouth que o álbum contém algumas “coisas impossíveis de guitarra e baixo”, e Kevin Shirley disse que está “bem pesado”.

Não é bem assim, mas com certeza tem mais barulho que o anterior, “Actual Size”, de 2001, ainda com Richie Kotzen no lugar de Paul Gilbert. Seja como for, é um álbum bom, bastante aceitável e agradável, mostrando que em tudo no hard rock é Poison, Cinderella ou o que há de pior no trabalho do Bon Jovi.

Músicas:01. Undertow
02. American Beauty
03. Stranger In My Life
04. Nobody Left To Blame
05. Still Ain’t Enough For Me
06. Once Upon A Time
07. As Far As I Can See
08. All The Way Up
09. I Won’t Get In My Way
10. Around The World
11. I Get The Feeling
12. Kill Me With A Kiss (Japan Bonus Track)

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