Motorhead e a verdadeira aula de rock

Estadão

27 de setembro de 2011 | 04h10

Felipe Branco Cruz e Pedro Antunes

Rigorosamente dentro do horário, às 23h10, Slipknot iniciou sua apresentação na noite do metal do Rock in Rio, ontem, com a tradicional introdução para a música Eyeless. Foi a deixa para o público seguir o conselho do mascarado vocalista #8, o Mastermind – que, de cara limpa, atende pelo nome de Corey Taylor, líder da banda Stone Sour, que se apresentou no sábado. “Estão prontos para perder a cabeça comigo hoje?”, berrou ele.

A banda trouxe por completo o seu assustador circo de horrores, com direito à pirotecnia e efeitos especiais. O grupo estava bem entrosado e parece ter superado a traumática morte do baixista Paul Gray, encontrado morto em maio de 2010, num quarto de hotel, por overdose de morfina.

Outro que fez o público perder a cabeça foi Motörhead, que, ao lado do Metallica, era uma das bandas mais esperadas da noite do metal, no Rock in Rio. Liderado pelo mitológico baixista Lemmy Kilmister, o Motörhead abriu também pontualmente às 21h40, com Iron Fist. Ao primeiro acorde da canção de abertura, a plateia foi abaixo, cantando junto numa espécie de catarse coletiva. Não à toa, já que o Motörhead, fundado em 1975, é uma das mais antigas bandas em atividade que se apresentarão no festival.

“Vocês estão prontos para o rock and roll?”, gritou ele, com a voz cavernosa, afinada à base de muito uísque. Dois pontos altos foram os solos do guitarrista Phil Campbell e do baterista Mikkey Dee. A performance de Campbell, aliás, é forte candidata a entrar para a história como um dos melhores momentos da edição.

Lemmy, do Motorhead (Foto:JF DIORIO / AE)

E Lemmy gosta tanto do Brasil que, desde a década de 90, inclui, em boa parte de seus repertórios, a música Going to Brazil, com versos que caíram como uma luva, como “Voando até o Rio, indo pro Brasil”. Ontem, então, a canção levou o público ao delírio. A apresentação foi encerrada após 1 hora e 13 canções. As clássicas Ace of Spades e Overkill, as mais aguardadas, fecharam um show que certamente será lembrado por muitos anos.

A noite havia começado sob o risco de vaias, com a abertura do Palco Mundo pelos paulistanos do Gloria (leia ao lado), às 19h. Liderados pelos 1,56 m de altura de Mi, o vocalista, cumpriram o desafio de tocar entre os grandes – com o perdão do trocadilho.

Em seguida, foi a vez de outro cantor chamar a atenção: na apresentação da banda Coheed and Cambria, a cabeleira de Claudio Sanchez era visível do ponto mais distante do palco. Chacoalhando o cabelo armado para todos os lados, apresentou seu metal progressivo a um público que chegava do Palco Sunset, onde o Sepultura havia fechado a noite.

Coheed and Cambria e Sepultura coexistiram no espaço sonoro do festival por apenas seis minutos. Tempo suficiente para que a poluição sonora atrapalhasse os dois. O público estava mais interessado em poupar forças para as maiores atrações da noite que estavam por vir.

Sobrou para o grupo de Nova York dar o máximo de suas guitarras agudas. Mas a única música que fez quem estava sentado se levantar não veio de nenhum dos cinco álbuns do grupo, criado em 1994. Saiu do clássico Piece of Mind, do Iron Maiden: The Trooper foi a escolhida para injetar ânimo no público. Em vão. Derrotado, Sanchez agradeceu, mas deixou o palco visivelmente desapontado.

 

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