Mostly Autumn, mais progressivo e mais folk

Estadão

14 de maio de 2011 | 17h00

Marcelo Moreira

Uma garota com voz sensual cantando (muito bem) músicas do Pink Floyd, acompanhada por músicos excelentes e um guitarrista que canta de forma parecida com David Gilmour, o guitarrista-ícone do rock progressivo.

A surpresa é grande: Heather Findlay e Bryan Josh eram os líderes do Mostle Autumn, até o começo deste século uma banda obscura inglesa que tentava seguir os passos do movimento neo-progressivo inaugurado na Grã-Bretanha com o Marillion e com o Pendragon nos anos 80.

Apesar da excelência e da alta qualidade dos CDs autorais do grupo, foi com o CD/DVD ao vivo “Pink Floyd Revisited”, de 2003, que o sucesso chegou, ainda que de forma cautelosa. O trabalho da banda progressiva colocou a banda no mapa da musica mundial graças às versões intensas e mais melódicas dos sucessos floydianos.

Capa de "Go Well Diamond Heart"

O Mostly Autumn retorna à ativa com magnífico álbum duplo, “Go Well Diamond Heart”, que conseguiu ser ainda melhor do que os excelente “Heart Full of Sky”, de 2006, e “Glass Shadows”, de 2008. Se a boa notícia é a volta ao CD da banda, a má é que a bela e excelente cantora Heather Findlay ficou pelo caminho.

De forma amigável e madura, a garota decidiu deixar a banda alegando cansaço por conta dos vários compromissos da agora famosa banda. Anunciou em janeiro que queria mais tempo para sua família e que tentaria engatar uma carreira solo de acordo com as possibilidades de convivência maior com os familiares. Seu último show com o Mostly Autumn ocorreu no dia 2 de abril do ano passado, no auditório de Leamington Spa Assembly, filmado para um DVD já lançado – “That Night in Leamington”.

Ao vivo no interior da Inglaterra em 2005

A substituta veio das “categorias de base”. Olivia Sparnenn está no grupo desde 2005 como vocalista de apoio, tecladista e guitarrista, além de paralelamente ser a cantora principal de outra boa banda de rock progressivo, o Breathing Space.

“Go Well Diamond Heart” traz melodias sofisticadas e mais guitarras à frente, em um ambiente mais hard rock. Entretanto, as composições estão mais complexas e intrincadas, no melhor sentido, e as influência do Pink Floyd estão lá, como sempre.

O Mostly Autumn foi formado no final dos anos 90 como um projeto pessoal do guitarrista e vocalista Bryan Josh, um aspirante a David Gilmour. Sem estabilizar a formação, Josh só conseguiu alguma atenção quando convenceu Heather Findlay (que também toca violão, flautas e percussão) a entrar para a banda, assim como o amigo tecladista Iain Jennings, que mais tarde criaria o seu próprio projeto, o Breathing Space.

Com o trio à frente do projeto, o Mostly Autumn finalmente conseguiu estabelecer um padrão e um conceito musical, ainda que totalmente calcado na música do Pink Floyd e do Genesis. Entre 1998 e 2001, lançaram quatro CDs de de alto nível, mas ficaram conhecidos mesmo graçasàs apresentações excelentes no circuito alternativo da Grã-Bretanha e da Escandinávia.

Heather Findlay

Com a mudança de patamar após “Pink Floyd Revisited”, o ritmo de lançamentos de material inédito diminuiu, o que foi fundamental para que duas obras-primas fossem concebidas, os já citados “Heart Full of Sky” e “Glass Shadows”.

As harmonias vocais foram melhorando consideravelmente, não só pelas presenças de Findlay e Sparnenn como a de Anne-Marie Helder, ex-vocalista da maravilhosa banda de prog folk Karnataka, do País de Gales. Rock progressivo de qualidade da melhor qualidade.

Olivia Sparnenn

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