Monkees anunciam retorno e turnê pelos Estados Unidos

Estadão

06 de maio de 2013 | 16h58

Marcelo Moreira

Outro cadáver insepulto ressurge no mundo pop. O trio remanescente da banda norte-americana The Monkees anunciou que vai fazer uma turnê pelos Estados Unidos ainda neste ano. Serão 24 shows entre julho e agosto, trazendo Michael Nesmith (guitarra e vocais), Peter Tork (guitarra, baixo e vocais de apoio) e Micky Dolenz (vocais e ocasionalmente bateria), além de músicos de apoio. Davy Jones, o vocalista principal (ou mais assíduo) morreu no ano passado, aos 66 anos, vítima de ataque cardíaco.

Nenhum comunicado oficial esclareceu os motivos de essa reunião ter sido anunciada somente agora, após a morte de Jones. Até onde se sabe, algumas conversas sobre novos shows com a formação original ocorriam desde 2010, mas nada conclusivo até a morte do vocalista inglês, o único não americano da banda.

Criada como uma resposta aos Beatles, a banda foi ideia de produtores de uma emissora de TV. No início, deveria ser apenas uma atração de TV – começou como um seriado -, com a realização de shows ocasionais.

Os músicos/atores (mais atores do que realmente músicos) foram selecionados em 1965 a partir de audições específicas e concursos. Os quatro selecionados começaram a gravar os episódios da série no ano seguinte em um ritmo frenético, enquanto gravavam músicas pop de vários compositores, alguns contratados exclusivamente para abastecer os álbuns.

A “armação” deu tão certo que os shows e os álbuns ficaram tão importantes quando o seriado de TV, e os Monkees se tornaram de fato uma banda de pop/rock no verdadeiro sentido da palavra, fazendo turnês extensas com músicos de apoio.

Tanto que o seriado acabou depois de três temporadas, em 1968, mas a banda continuou existindo sem vínculos com a emissora de TV – e sem as amarras que os impediam de gravar suas próprias composições, brecadas pelos produtores musicais.

Ironicamente, o fim do seriado na TV foi o início do declínio, já que o tipo de pop bobinho, açucarado e inofensivo havia muito tempo estava fora de moda, atropelado pelo movimento hippie, pela psicodelia e pelas canções de protesto. Ainda houve tempo para um projeto ambicioso, a filmagem de um longa-metragem, “Head”, que fracassou nas bilheterias.

Os álbuns deixaram de vender como antes e os desentendimentos entre os quatro se tornaram mais frequentes. Peter Tork saiu em 1969 e Nesmith, no seguinte. Dolenz e Jones até tentaram levar adiante a banda como um duo, mas o fim foi inevitável em 1972.

Ao longo dos anos os quatro fizeram turnês solo com o material dos Monkees, até que houve uma tentativa de volta da formação original nos anos 80, sem sucesso. A partir de então Nesmith decidiu não mais participar de qualquer reunião oficial – comparecia apenas a eventos específicos, em shows esparsos de celebração.

Os Monkees foram uma armação? Sim, uma banda inventada por um produtor e fabricada em um estúdio de televisão, mas ganhou vida própria, e teve muitos méritos nisso – inclusive para romper com “pais” da ideia e seguirem caminhando por si só, mesmo com o risco – enorme – de insucesso. Tiveram coragem e pulso para encarar esse desafio e superaram, ainda que por pouco tempo, a pecha de “banda artificial” – algo como um Menudo da vida.

De qualquer forma, a volta do grupo não passa de mera curiosidade, muito diferente do Black Sabbath, por exemplo, cuja volta da formação original foi esperada por todo o mundo musical.

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