Mistura de sons e tribos em shows memoráveis no BMW Jazz Festival

Estadão

11 de junho de 2013 | 21h43

ROBERTO NASCIMENTO , JOTABÊ MEDEIROS – O Estado de S.Paulo

Público em massa é certeza nos shows gratuitos do BMW Jazz festival no Auditório Ibirapuera – não importa se a proposta é mais acessível, como nos anos anteriores, com shows de Sharon Jones e Maceo Parker, ou mais densa, caso da apresentação do guitarrista Pat Metheny no final da tarde de ontem.

 

Cangas, garrafas de vinho e um público de diversas tribos e idades tomaram conta mais do gramado aos fundos do auditório para o encerramento do evento, desta vez ao som do virtuosismo jazzístico da Unity Band de Metheny. O guitarrista mostrou o mesmo show de quinta, com digressões por fusion, bebop e duetos com o trio de craques que o acompanha. Também fez uso, mais uma vez, de seu excêntrico Orchestrion, instrumento composto de diversas bugigangas controladas por uma guitarra.

Já na noite de quinta, Esperanza Spalding foi aplaudida de pé após tocar 6 das 12 canções do seu premiado disco mais recente, Radio Music Society. As outras duas foram carícias para os brasileiros: Inútil Paisagem, de Tom Jobim (gravada em seu disco anterior, com arranjo de beat box e scat singing) e o intro funky Us.

Radio Music Society integra uma trilogia que só teve duas partes até agora (a primeira foi o disco anterior, Chamber Music Society). “O que isso significa é que eu pretendo deixar todas as expressões da sociedade falarem” ela explicou. Por expressões da sociedade, compreenda-se uma fusão do jazz com o mais moderno R&B, o pop, o soul e o funk, gêneros alternados entre o baixo acústico e o elétrico e uma big band disciplinada ao fundo. No meio de tudo, ela chama ao centro do palco o seu vocalista de apoio, Chris Turner, para um mélange na canção com tintas ativistas Black Gold. “Você é de ouro, baby!/Ouro negro com uma alma de diamante! /Pense em toda a força que há em você/No sangue que te atravessa/Homens ancestrais, poderosos homens/Construtores da civilização.”

Em 2011, Esperanza bateu Justin Bieber e Drake na disputa pelo Grammy de melhor artista iniciante. Já era uma veterana, entretanto. O tempo só a sofistica. Ela está mais chique, ela se veste bem, ela é extrovertida e simpática, ela é a mais bonita do jazz na atualidade. Tudo isso seria uma inútil paisagem, se além de tudo ela não fosse um extraordinário talento. Em progresso.

Antes de Esperanza, passou pelo festival um quarteto memorável, dedicando-se exclusivamente à generosidade do ato de tocar baladas memoráveis. Foi o James Farm (integrado pelo saxofonista Joshua Redman, o pianista Aaron Parks, o baixista Matt Penman e o baterista Eric Harland). Em apenas 7 números musicais, extraídos do seu único disco (James Farm), o quarteto levou o público por uma viagem melódica e harmônica inigualável.

A excelência de Joshua Redman no sax tenor é amplamente conhecida, mas a junção de seu som com a batida sacrílega do pastor Eric Harland e a coesão absurda de Aaron Parks impõe um novo jazz ensemble como imperdível nos dias atuais.

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