Miles Davis, por Billy Cobham

Estadão

28 Janeiro 2012 | 06h46

Roberto Nascimento

“Me disseram que sou eu, mas é tanta gente naqueles discos que só sei de certo que toco em A Tribute to Jack Johnson”, ironiza Billy Cobham, um dos grandes bateristas que redefiniram as fronteiras do jazz sob a batuta de Miles Davis, na primeira metade dos anos 70.

Billy está no País para se apresentar com um sexteto no Sesc Pinheiros hoje e amanhã, em shows que marcam o encerramento da mostra “Queremos Miles”.

Falando ao Estado sde S. Paulo pelo telefone, logo após ter desembarcado do Panamá, explica que foi convidado para apresentar temas que representem sua faceta favorita de Miles.

“Eu deixei claro que ia ao Brasil para tocar a música de Billy Cobham, não a de Miles, mas fiquei contente em escolher alguns temas do disco E.S.P. (o primeiro do segundo grande quinteto de Miles). Vejo este trabalho como o primeiro disco de fusion”, conta.

A escolha é curiosa, sendo que os primórdios do fusion são geralmente associados a discos mais tardios, como In a Silent Way e Filles de Kilimanjaro. Mas a defesa é interessante: “E.S.P. é o primeiro registro da incorporação do boogaloo ao jazz. O que Tony Williams fez neste disco influenciou todas as combinações rítmicas do fusion”.

Mesmo que sua sagaz observação fosse incorreta, seria difícil discutir com Billy Cobham, um dos mestres da bateria jazzística desde os anos 60, que tocou em discos como Bitches Brew e On the Corner, Tribute to Jack Johnson e outros, além de ser um dos co-fundadores da Mahavishnu Orquestra, grupo tão influente quanto Miles na evolução do jazz setentista.

SERVIÇO

BILLY COBHAM
Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, tel. 3095-9400. Hoje, às 21 h; amanhã, às 18 h.
R$ 10 a R$ 40.

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