Metallica soa ainda mais poderoso em filme 3D nos cinemas

Estadão

11 de outubro de 2013 | 06h55

Costábile Salzano Jr. – especial para o Combate Rock

A apresentação do Metallica gravada em três noites, em um enorme ginásio de hóquei em Vancouver (CAN), arrebatou milhares de fãs, das mais diversas nacionalidades. Depois de lançar “Orgulho, Paixão e Glória”, o Metallica decidiu gravar mais um fantástico registro videográfico: “Metallica: Through The Never”, “filme” 3D cuja estreia, nos Estados Unidos, aconteceu no dia 27 de setembro – quebrando recordes de bilheteria nas salas IMAX -, e invadiu os cinemas brasileiros, na última sexta-feira (04/10).

Se desde “A Year and a Half in the Life of Metallica”, o histórico “Live Shit: Binge & Purge”, o inusitado “Cunning Stunts”, o inovador “S&M”, passando por “Francais Pour Une Nui”, o histórico “The Big 4 Live from Sofia” até “Quebec Magnetic”, a banda já mostrava e evidenciava o seu poderio bélico, em “Metallica: Through The Never”, James Hetfield (vocal/guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Robert Trujillo (baixo) e Lars Ulrich (bateria) apresentam uma das performances mais arrebatadoras dos 32 anos da carreira do grupo.

É um verdadeiro best of de shows grandiosos na cidade canadense, com 24 câmeras registrando os mais diversos detalhes tanto da banda como do público. O barulho captado é intenso. A vibração transborda a tela e traga o espectador pra cima do palco. O que se vê é aquele Metallica devastador, os verdadeiros reis do heavy metal.

O áudio de “Metallica: Through The Never” também está disponível em CD e exala o sentimento de devoção, fanatismo e fidelidade por parte dos fãs em uma qualidade absurda. O vídeo começa mostrando a chegada antecipada de um fã ao local, que vibra intensamente por ser o primeiro, e assim culmina na primeira aparição de Trip, jovem roadie do Metallica, interpretado por Dane DeHaan (“Poder sem limites”). O personagem aos poucos é inserido dentro dos bastidores do show da banda e os músicos vão dando as caras.

A apresentação começa com a tradicional entrada apoteótica de “Creeping Death”. Enquanto Trip assiste ao espetáculo, ele é incumbido por um dos managers a resolver uma tarefa urgente. Até este momento, podemos afirmar que “Metallica: Through The Never” se trata de um filme, porém, com o desenrolar do longa, a história é ofuscada por diversos clássicos como “One”, “Ride the Lightning”, “Master of Puppets”, “And Justice for All…”, “Nothing Else Matters”, entre outras”, e a proposta do filme cai por terra, causando um sentimento estranho.

Com certeza, “Metallica: Through The Never” é muito mais especial para quem é fã de longa data. O “filme” registra uma verdadeira relação de amor intensa, mágica e explosiva. Evidencia que a banda está viva, eletrizante e cheia e gás. Até Lars Ulrich, que tem sido duramente criticado, arregaçou seu kit de bateria com tamanha maestria que foi um dos fatores mais comentados ao final da exibição.

Uma das coisas mais especiais é a preocupação em mostrar a reação do público a cada música executada. No entanto, o que mais fica evidente é a energia, a vitalidade do Metallica. Um dos pontos mais impressionantes acontece ao final de “The Memory Remais”, do tão criticado álbum Reload. A música é cantada em uníssono, dando mais uma prova de devoção dos fãs, provando porque o Metallica é uma das mais influentes e apaixonantes bandas do mundo.

Com 92 minutos de duração, “Metallica: Through the Never” é soberanamente fantástico. Com uma qualidade de som e imagem surreal, a fotografia assinada por Gyula Pados, que é também uma das responsáveis por tornar este material imperioso.

É bem verdade que o Metallica usou e abusou da expectativa dos fãs, subindo cerca de 10 teasers super bem produzidos em seu canal oficial no YouTube. Esta tática foi infalível para atingir principalmente os fãs brasileiros, que ainda sentiam na pele um dos melhores shows da história do Rock in Rio.

Com distribuição nacional da H2O Films, o “longa”, financiado pela própria banda ao custo de US$ 18 milhões, peca apenas na história escrita e dirigida por Nimród Antal. Logo nas primeiras cenas, parece que o enredo vai ganhar corpo, se desenvolver e se tornar uma aventura interessante, mas isto, infelizmente, não acontece. A história fica travada, sem aquela continuidade instigante. Praticamente 20% do filme tenta narrar o serviço de ajudante do grupo.

Outro ponto negativo é a falta de criatividade em produzir uma tragédia durante “Enter Sandman”, clímax de qualquer exibição do Metallica pelos quatro cantos do Planeta. Para quem já assistiu o víídeo “Cunning Stunts” qualquer semelhança não é mera coincidência.

“Metallica: Through the Never” mostra uma brilhante exibição da banda, desfilando vários hits, com o melhor de som e imagem, cenários criativos, muita pirofagia, show de lasers, com um curta-metragem rolando no plano de fundo. Mais um excelente registro em vídeo do Metallica. Indispensável na coleção de qualquer colecionador ou fã do bom heavy metal.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Metallica

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: