Metallica: 'James cuspia em Lars'

Estadão

20 de maio de 2012 | 22h00

Roberto Nascimento

O jornalista Mick Wall, que escreveu Metallica – A Biografia, também é autor de outros livros sobre grandes nomes do rock. Já falou sobre Led Zeppelin, Black Sabbath e assinou a história não autorizada de Axl Rose, que lhe rendeu uma vil citação em uma música dos Guns n’ Roses. Atendendo ao Estado, por telefone, de Londres, falou sobre o Metallica e suas decisões enquanto compunha a narrativa.

Partes de sua biografia são contadas em primeira pessoa. Como conheceu o Metallica?

Foi no início dos anos 80. Eu trabalhava para a Kerrang!, em Londres, e Lars (Ulrich) era fã da revista. Fomos a primeira publicação a escrever sobre o Metallica, quando eles eram apenas uma jovem banda, com Dave Mustaine na formação. Eles eram mais famosos no Reino Unido, então vieram até a revista e começamos a beber. Naquele tempo, todos da revista entravam nos shows deles. O último artigo que escrevi sobre o Metallica foi feito recentemente, e não consegui nem um ingresso para mim.

O sr. começa o livro com uma descrição do acidente de ônibus que matou Cliff Burton. Acha que este é o momento mais importante na história da banda?

Foram vários momentos cruciais, mas a importância deste é enorme. Se Cliff não tivesse morrido, a cronologia da banda teria sido diferente. A terrível ironia disto é que a morte de Cliff libertou-os para que fossem atrás do sonho de virar estrelas do rock, e, ainda assim, reter credibilidade. Isto teria sido inimaginável enquanto Cliff estava vivo. Não era o sonho dele. Eu o conheci. Era um cara formidável, mas ele realmente não se preocupava com o que estava na moda. Ele nunca teria cortado seu cabelo. Ainda descobri que, logo antes de sua morte, a banda estava pensando em demitir Lars Ulrich.

Há diversas histórias sobre você e a banda. Isto não afetou o seu julgamento? Como fez para tentar ser imparcial?

Faço isso há 35 anos. É mais tempo de estrada que o Metallica. Quando eu os conheci, eles disseram que estavam honrados em me conhecer. Eu adoro a música deles, mas não sou um fã. Não escrevo esses livros para fãs, e sim para pessoas que estão atrás de um bom livro. Por causa da biografia, James Hetfield não fala comigo. Lars me ligou e logo haverá uma versão atualizada com as coisas que ele me disse. Outro dia, vi uma entrevista com o cara que escreveu um livro sobre Dave Grohl. E a bajulação me deixou enojado. É puro tédio. Ninguém é tão maravilhoso assim. Eu quero é ler um livro que me diga uma música do Foo Fighters que valha a pena.

Por que James Hetfield não fala com você?

Porque eu não o deixei controlar a composição do livro. Ele é inteligente, nunca deixaria algo estragar sua carreira, mas tem problemas. É uma pessoa extremamente controladora. Isto não é um livro para fãs. Quando eles fizeram coisas extraordinárias, as inclui no livro, e quando eles foram imbecis, também incluí isto no livro. James Hetfield era sacana com Jason Newstead, o baixista que substituiu Cliff. Ele idolatrava o Cliff, odiava o Lars. Ele cuspia em Lars quando ele errava o andamento das músicas. Ele batia no Lars. Ele não iria querer que isto saísse em um livro.

Eles lançaram o disco mais criticado de suas carreiras no ano passado, a parceria com Lou Reed no disco Lulu. O que acha da fase atual do Metallica?

Acho que eles ainda vão fazer coisas interessantes. Eu adoro aquele álbum com o Lou Reed. É uma grande obra de arte. Não achava que eles pudessem fazer algo com tanta raiva. O último disco, Death Magnetic, de 2006, me desapontou. Mas Lulu foi fantástico. Obviamente, sou minoria. É o disco deles que menos vendeu, mas eu os cumprimento pela coragem de fazer algo do tipo, de continuar trabalhando no limite, empurrando a barreira da mesmice.

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