Metallica e os 20 anos do 'Black Album'

Estadão

22 de agosto de 2011 | 16h24

Flávio Leonel – Roque Reverso *

Neste mês de agosto foram completados 20 anos do álbum “Metallica”. Conhecido no mundo todo como “Black Album”, por conta da capa preta que traz apenas o logo do Metallica e a cobra que faz referência à  bandeira de Gadsden, o disco levou a banda norte-americana de thrash metal e o próprio heavy metal para um patamar até então nunca visto na música pop, com mais de 15 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos e mais de 22 milhões em todo o planeta.

Para os fãs mais radicais do Metallica, a velha banda de thrash oitentista acabou neste álbum. Para os menos radicais e amantes da boa música e do bom rock and roll, não há dúvida que o “Black Album” está entre os maiores álbuns da história, independentemente de ser ou não um disco mais comercial.

Para quem acompanhava desde os anos 80 o Metallica nos quatro álbuns anteriores (“Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning”, “Master of Puppets” e “…And Justice For All”) , a mudança no som da banda é bastante clara, já que ficou um pouco menos pesado, um pouco mais lento, os vocais de James Hetfield ficaram um pouco mais limpos e bem menos gritados,  as músicas tiveram o tempo de duração reduzido e o grupo trouxe sua primeira balada romântica (“Nothing Else Matters”), algo inimaginável para uma banda thrash naquela época.

O grande responsável por esta mudança, além do próprio grupo, foi o produtor Bob Rock, que já tinha uma carreira respeitada na música, com trabalhos importantes do Aerosmith, The Cult, Bon Jovi, e Mötley Crüe.

Você pode até questionar as mudanças, para um som mais comercial, que Bob Rock trouxe ao Metallica, mas jamais poderá negar que a produção do álbum é espetacular. Pergunte a qualquer técnico de som sobre o que ele acha do “Black Album” e a maioria dos especialistas no assunto responderá que a qualidade do disco está entre as maiores da história da música. Não por acaso, banda e produtor ficaram trancados durante meses no estúdio até chegarem ao resultado final de sucesso.

O fato é que, apesar das mudanças, desde os primeiros acordes de “Enter Sandman” até o final do disco com “The Struggle Within”, você escuta, sem a menor sombra de dúvida, um ótimo disco de rock pesado, com uma banda totalmente focada para atingir o sucesso.

O Metallica, por sinal, sempre foi um grupo de grande personalidade, já que nunca teve medo de peitar gravadora ou fãs naquilo que desejava tocar. Se o “Black Album” fez os fãs mais radicais torcerem o nariz, os álbuns seguintes “Load” e “Reload” surpreenderam o mundo com um som quase beirando ao rock pop e a banda cortando os cabelos.

Na sequência, crítica e público desceram a lenha no disco “St. Anger”, que traria uma produção mega simples e músicas com ausência de solos de Kirk Hammett. Mais recentemente, a banda não teve receio de voltar às origens e gravou “Death Magnetic”, considerado um dos bons álbuns do metal no novo milênio.

O “Black Album” foi o grande passo do Metallica ao sucesso. Este blogueiro se lembra da ansiedade em relação ao lançamento, em 1991, já que a banda não gravava um álbum desde o seu preferido “…And Justice For All”.

No dia que o single de “Enter Sandman” rolou nas rádios de rock da época, as finadas 89FM e 97FM, o sentimento era dos melhores em relação ao novo álbum. “Sad But True”, “Wherever I May Roam”, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters” foram outros hits de sucesso do disco, que ainda tinha outras músicas que mereciam maior exposição, como “My Friend of Misery” , “Through the Never” e “Of Wolf and Man”.

O “Black Album” popularizou o heavy metal no início dos anos 90. Quem frequentava  a Galeria do Rock na época, lembra-se bem que o disco trouxe diversos novos fãs para aquele espaço em busca dos discos mais antigos do Metallica e também de outras bandas de thrash metal. Sepultura, Slayer, Megadeth, Anthrax e outras bandas do gênero foram só algumas que ganharam mais fãs depois do disco preto.

Nos Estados Unidos, talvez o grande momento da banda naquela época tenha sido a apresentação no MTV Video Music Awards, ainda em 1991, quando o “Black Album” estava na primeira colocação dos álbuns mais vendidos. Até então, Guns N’ Roses e Faith No More eram as bandas mais pesadas que haviam se apresentado na tradicional premiação da MTV.

Quem tem interesse em mais detalhes sobre a produção do disco pode assistir ao DVD “Metallica – Classic Álbuns”, da ST2, que traz a banda, anos depois, comentando todo o processo de criação e gravação do álbum. Outra dica é assitir ao DVD  ”A Year and a Half in the Life of Metallica”, que é dividido em duas partes e traz o grupo desde a produção do “Black Album” até a extensa turnê de divulgação, que passou pelo Brasil, em 1993, no Estádio do Palmeiras, em dois shows inesquecíveis.

 * Flávio Leonel é jornalista da Agência Estado e editor do ótimo blog Roque Reverso

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