Metal Open Air já apresentava vulnerabilidades desde o anúncio oficial

Estadão

21 de abril de 2012 | 04h00

Não era questão de agourar ou torcer contra. Mas quando houve o anúncio do Metal Open Air, em novembro do ano passado, havia muito mais dúvidas do que certezas – na verdade, só existiam dúvidas. Primeiro teve a “confusão” com o nome Wacken Open Air Brazil, o primeiro nome do festival.

A questão é que os detentores da marca do importante festival alemão desmentiram qualquer acordo para que o nome fosse usado no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Estranhamente, os organizadores – Negri Concerts e Lamparina Produções – demoraram a esclarecer a situação. Só aí é que o nome atual foi divulgado. Logo em seguida havia a questão da escolha da cidade – São Luís, cidade fora da rota de shows de rock internacional e com evidentes deficiências para receber um festival de grande porte.

Por fim, quando do anúncio oficial, nenhuma banda foi confirmada naquela data. Como poderia um festival ambicioso como esse, em uma cidade com limitações para receber um festival para 240 mil pessoas em três dias, ser organizado em tão pouco tempo e com muitas pontas soltas – seriam só meses para organizar tudo.

Em novembro o Combate Rock, apesar de apoiar a realização do festival, questionava a viabilidade do evento o pouco tempo para organizá-lo. Leia on texto publicado à época:

 

Marcelo Moreira

Depois de muito segredo, boatos desencontrados e silêncio total por parte dos supostos organizadores, fnalmente foi confirmado de forma oficial a realização de um grande festival de heavy metal em São Luís, no Maranhão, em abril de 2012. O que deveria ser uma versão brasileira do Wacken Open Air, o maior festival de rock pesado do mundo e realizado na Alemanha, se transformou no Metal Open Air, um evento promovido pela ótima produtora paulista Negri Concerts com a Lamparina Records, de São Luís, uma das mais importantes empresas do segmento no Nordeste.

Em princípio, o festival seria chamado de Wacken Brazil, como informa o site da Lamparina Records. Estranhamente, o nome mudou e as referências ao festival alemão sumiram no comunicado oficial distribuído pela produtora paulista no início da noite de sexta-feira passada.

Primeira versão do suposto cartaz do que deveria ser o Wacken Brazil, que virou o Metal Open Air

Entre as atrações cogitadas estão Manowar, Motorhead, Anthrax, Helloween, Scorpions, entre outros. O problema é que a suposta página oficial da Lamparina Records sobre o evento apenas confirma as datas – 2o, 21 e 22 de abril de 2012. Nada de local onde serão realizados os shows, nenhuma atração confirmada. Enfim, nada de concreto. Pelo menos o comunicado oficial da Negri informa que o local estaria definido: o Parque da Independência.

A Lamparina Records tem alguma experiência com shows de médio porte no rock, embora tenha memso grande experiência com artistas locais de ritmos brasileiros, em especial os do Norte e Nordeste.

Apesar da confirmação, ainda são poucas as informações a respeito do evento, o que é bastante preocupante – são menos de seis meses para a sua realização em uma cidade que não tem o hábito de receber grandes shows de rock. O Wacken Open Air alemão costuma definir todos os detalhes de uma edição exatamente um ano antes.

Seja como for, é bastante elogiável a iniciativa de se produzir um evento de tamanho porte, mesmo que seja em uma cidade fora do eixo roqueiro tradicional. O Combate Rock torce e apoia a realização, mas não dá para ignorar que a falta de informações mais consistentes causa apreensão.

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