Megadeth celebra 20 anos do clássico 'Countdown to Extinction' em São Paulo

Estadão

07 de setembro de 2012 | 12h00

Costábile Salzano Jr – especial para o Combate Rock 

5 de setembro de 2012. Esta data acaba de entrar para a história do heavy metal no Brasil. E o motivo é especial para todos os fãs da música pesada no país. A banda norte-americana Megadeth protagonizou um dos shows mais memoráveis dos últimos tempos neste país, ao executar na integra, o clássico álbum “Countdown to Extinction”, na Via Funchal, em São Paulo.

 Assim que anunciaram que a turnê que celebra os 20 anos de lançamento deste trabalho desembarcaria no Brasil, a notícia caiu como uma bomba e os fãs abdicaram de prestigiar outras atrações internacionais para confirmar presença neste espetáculo. 

Não é de hoje que o Megadeth é um dos grupos mais queridos dos brasileiros. É certo que eles ainda não se equiparam ao nível do Metallica ou Iron Maiden, mas é extremamente perceptível que a banda é venerada por fiéis seguidores. Muitos nem se importaram pelo fato deste ser o terceiro show deles em menos de um ano no Brasil e viajaram horas só para vê-los novamente. 

Se em 2010 eles já haviam excursionado pela América do Sul trazendo na bagagem as composições do também clássico “Rust In Peace” e arrancaram muitas lágrimas de felicidade, desta vez a ocasião havia um gostinho especial já que “Countdown…” marcou a adolescência da grande maioria do públicoque lotou a melhor casa de shows da cidadede São Paulo, em plena quarta-feira, quase véspera de feriado. 

Após a rápida apresentação dos paulistas do Mindflow, os roadies deixaram o palco preparado em poucos minutos para receber Dave Mustaine (vocal/guitarra), David Ellefson (baixo), Chris Broderick (guitarra), Shawn Drover (bateria) a qualquer momento.

Às 22h10, a banda entrou em cena empolgada com “Trust”, faixa de abertura do excelente “Cryptic Writings” seguida pela clássica “Hangar 18”. O público estava tão ansioso pelo show que explodiu logo de cara, cantando em uníssono de forma tão alta que o som que saia dos PAs não foi suficiente e teve que ganhar um plus. Na seqüência, vieram a fabulosa “She-Wolf” e a indispensável “A Tout Le Monde”. Com os fãs totalmente extasiados, inteligentemente tocaram as novas “Whose Life (Is It Anyways?)” e “Public Enemy n° 1”. 

Era perceptível que os músicos estavam animados com toda aquela situação devido ao calor e a receptividade dos fãs mostrando muita devoção por cada música executada. Mr. Mustaine, que é conhecido por sua frieza com os fãs brasileiros, desta vez, foi só sorrisos.

Depois de mais de dez apresentações no país, finalmente, ele declarou seu amor diante mais de sete mil pessoas. A felicidade era tanta, que apesar de muitos terem esperado pelos discursos ácidos contra o governo de Barack Obama, o protesto ficou evidente apenas nas imagens projetadas nos três telões de alta definição, que abrilhantaram ainda mais a presença de palco dos músicos.

Na verdade, o frontman fez este nobre ato para instigar ainda mais platéia para o clímax da exibição: as dez ilustres músicas que compõem o álbum “Countdown to Extinction”, na ordem original do tracklist. 

Quando “Skin O’ My Teeth” teve seus primeiros acordes executados, muito marmanjo começou a chorar, gritar, vibrar e assim foi até o fim de “Ashes In Your Mouth”. Foram mais de 45 minutos do mais puro e brilhante thrash metal. Foram cenas, imagens, sons que ficarão marcados para o resto da vida de todos os presentes. No entanto, ao final de toda essa emoção, o fato mais curioso ficou por conta de boa parte dos fãs pedindo por “No Remorse”, música do seu “arquirival” Metallica, a qual Mustaine é um dos compositores.

 Após uma breve pausa para acalmar os ânimos de ambos os lados, Dave Mustaine retorna ao palco sozinho. Ele, evidentemente, foi ovacionado, teve seu ego massageado e, após muitos aplausos, deu ordem para que seus companheiros de banda finalizassem a performance com chave de ouro tocando, as clássicas ” Peace Sells… But Who’s Buying?”, que contou com uma rápida aparição do mascote Vic Rattlehead, e “Holy Wars… The Punishment Due”.

 Apesar do setlist previsível, o Megadeth provou porquê são ícones, ídolos e respeitados como um dos maiores grupos de heavy metal. Foram quase duas horas de uma verdadeira aula de riffs matadores e composições seminais para qualquer apreciador da música pesada. Agora é só esperar pela comemoração de 20 anos do álbum “Youthanasia”.

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