Mayer Hawthorne: a volta do Homem-Aranha do novo soul

Estadão

04 de fevereiro de 2012 | 06h48

Pedro Antunes

A última visita de Mayer Hawthorne ao Brasil lhe rendeu, entre outras coisas, o apelido de Spiderman do soul. Culpa de seus óculos de hastes grossas, cabelo certinho, visual de nerd e, mais ainda, por um segurança do aeroporto de Florianópolis que, desavisado, achou que o músico era o ator Tobey Maguire, que interpretou o herói aracnídeo na trilogia das telonas, e lhe pediu um autógrafo.

Há pouco mais de um ano, Hawthorne veio ao Brasil como atração do Summer Soul Festival. Cantou ao lado de Janelle Monáe e de Amy Winehouse. Ao lado da primeira, ele roubou a cena de um festival que tinha tudo para mostrar que Winehouse ainda era capaz de performances históricas. Não deu, mas Hawthorne e Monáe receberam ótimas críticas.

Nesse meio tempo, Hawthorne não ficou parado. Em um ano, lançou dois novos trabalhos, um EP de seis músicas só com covers e um segundo disco de inéditas, How Do You Do, lançado em outubro no exterior e que agora chega ao País através da Universal Music.

“Lançar dois discos não é muito, eu me divirto fazendo música. Eu sou uma pessoa sortuda por ter a capacidade de viver daquilo que eu mais gosto”, disse o cantor americano de 32 anos, simpático e falante, ao JT.

Sobre a experiência de voltar ao País, agora como o nome principal da noite, não vê problema. Até gosta. “Não posso dizer que muita coisa mudou. Essas coisas somem quando se está em cima do palco, entende? Será divertido.”

Mayer Hawthorne e sua banda (DIVULGAÇÃO)

Durante o papo, a lembrança da confusão com o segurança em Floripa não demorou para lhe vir à cabeça. “Nossa, aquilo foi demais, não? Eu queria ser um super-herói, ter poderes e uma identidade secreta”, brinca Hawthorne. E até que o segurança não errou tanto assim. O cantor, de fato, tem uma espécie de identidade secreta. Nascido em Michigan, Andrew Mayer Cohen mudou-se para a Califórnia.

Seu som não era o soul, e sim o hip hop. Seus versos, falados, e não cantados em falsete. O que começou como uma brincadeira, de gravar algumas demos para o dono da gravadora Stones Throw, em 2008, tornou-se A Strange Arrangement, que foi lançado no ano seguinte e serviu de base para aquelas quatro apresentações no Brasil.

Por isso, o Hawthorne de hoje tem repertório mais completo. Impressions, disponível para download em seu site, é na verdade uma experimentação por sonoridades, como o R&B do Isley Brothers na impecável Work To Do, ao eletrofunk tranquilizante do Chromeo, com Don’t Turn The Lights On.

“Queria mostrar que não estou parado no tempo. Não vivo só de soul, ouço de tudo. Estou tentando levar a música para frente, não voltar no tempo. Não gosto de ver as pessoas falarem que antigamente que era bom. O futuro pode ser bom também.”
A turnê com Amy Winehouse, conta Hawthorne, os aproximou. “Ela reascendeu a chama do soul. Infelizmente as notícias eram mais sobre coisas que não a música”, lembra.

Mas Amy deixou herdeiros, abriu uma avenida, o chamado novo soul. E Hawthorne, dentre os seguidores, faz o tipo nerd divertido. Assim como Peter Parker, a identidade secreta do Homem-Aranha.

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