Max Cavalera quer voltar a tocar com Sepultura e vir ao Abril Pro Rock

Estadão

17 de junho de 2013 | 06h50

Wilfred Gadelha – Jornal do Commercio (PE)

Max Cavalera anda com saudades. O principal ícone do heavy metal do Terceiro Mundo diz que os tempos do underground eram mais divertidos, menos românticos. Essa saudade reflete na sonoridade das suas duas bandas, Soulfly e Cavalera Conspiracy, que têm trilhado por aquele som que levou o Sepultura ao estrelato, aquela pancadaria com os pés fincados no hardcore e no death metal.

Saudades da Sepultura, ele não faz a menor questão de disfarçar. E de Pernambuco, Estado cuja relação com o ex-vocalista da maior banda brasileira de metal começou há 26 anos, quando o quarteto de Belo Horizonte fez o seu primeiro show fora do eixo Minas-Rio-São Paulo, justamente na Capital do Forró, a Caruaru de 1987.

“Estou doido para voltar a Pernambuco. Já andamos conversando para ver se toco no Abril Pro Rock do ano que vem. Se é com o Soulfly ou com o Cavalera Conspiracy, tanto faz: quero muito! Tomara que dê certo”, diz Max, do seu escritório em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos, onde mora desde 1991.

Max Cavalera deu uma entrevista exclusiva para o Jornal do Commercio, a primeira desde 1997, quando falou com José Teles sobre sua saída da Sepultura. No papo da quarta-feira, 5 de junho, o vocalista e guitarrista estava tagarela. Passado, presente e futuro se misturaram em 30 minutos de conversa, “cronometrados” pela manager e esposa Gloria. Comedido em alguns momentos, Max não soltou o verbo com críticas aos ex-companheiros de banda, Paulo Xisto e Andreas Kisser. Pelo contrário: elogiou Kisser e apelou novamente para uma possível volta da formação clássica dos “jungle boys”.

“Eu sinto saudades daquela época em que começamos. Era menos profissional, puramente underground. A gente não tinha nem empresário e minha mãe, Vania, é quem ajudava. Então, a gente saía nessas paradas loucas e era legal pra caramba”, conta ele, lembrando o show que a banda fez em 30 de maio de 1987, no Teatro João Lyra Filho, a estreia de Kisser na banda – além de Max e Paulo (baixo), o irmão mais novo do vocalista, Igor, pilotava as baquetas e completava a formação.

O show de Caruaru teve a abertura das bandas Sendero Luminoso (daqui de Pernambuco, que contava com o ilustrador Guga Burkhardt no vocal, os ex-Arame Farpado Linde, no baixo, e Bruno, na guitarra, além de Jô Pinto na bateria) e Incubus, da Paraíba. Quem promoveu o show foi o hoje deputado federal Wolney Queiroz (PDT), filho de José Queiroz, atual prefeito de Caruaru e, coincidentemente, também em 1987. Sepultura, que não conta com Max, desde 1997, e Igor, desde 2006, vaise apresentar na cidade em agosto, no festival Agreste In Rock.

A ligação de Max Cavalera com Pernambuco vai além. Em 1988, a banda voltava ao Estado, desta vez no Recife, após o lançamento do disco Schizophrenia, divisor de águas na carreira da Sepultura, e tocou no Clube dos Sub-Tenentes e Sargentos da Polícia Militar, na Torre, cuja abertura ficou a cargo da pernambucana Cruor. O quarteto já tinha outro status na época. “Estávamos crescendo. As coisas estavam começando a melhorar, ficando mais profissionais. Quando Andreas entrou, melhoramos musicalmente. Ele sempre foifã de Randy Rhoads, Joe Satriani e Steve Vai e sabia mais de música e tocava melhor do que a gente, que era mais de pancada, gostava mais do déti metal”, explica ele. “Dessa mistura entre o lado melódico de Andreas e a nossa vocação mais agressiva, saiu o estilo que nos levou aonde chegamos: brutal, mas com melodias, introduções acústicas e tal.”

SHOW HISTÓRICO

Um dos momentos mais importantes do Abril Pro Rock foi a jam session entre Max e os remanescentes da Nação Zumbi, destroçada após a morte de Chico Science, em fevereiro de 1997. “Eu tinha conhecido os caras no ano anterior. Eles me ligaram e resolvemos fazer uma homenagem a Chico no APR de 1997. Fiquei uma semana na cidade, ensaiando com a banda e indo a todos os lugares. Foi uma semana f*!”, relembra.

Três anos depois, Soulfly, banda que Max criou após sair da Sepultura em 1997, foi a atração principal da noite dos camisas pretas do Abril Pro Rock. No auge da carreira com o grupo, rejeitado por muitos fãs antigos da Sepultura por sua pegada mais nu metal, Max e cia (o ex-baixista do The Mist Cello Dias, o baterista Roy Mayorga e o guitarrista Mike Doiling) não interagiram tanto com público e imprensa como ele havia feito em 1997. Mas o fim do show, com o refrão de Roots bloody roots entoado por milhares de pessoas no Centro de Convenções, ficou marcado na história do festival e de Pernambuco.

“Não vejo a hora de voltar aí. Pouco importa se vou com Soulfly ou com Cavalera Conspiracy (banda que tem Igor na bateria). Ano que vem estarei em turnê com as duas bandas e quero mesmo tocar no Abril Pro Rock”, repete ele, insistindo. Consultado, o produtor do festival, Paulo André Pires, desconversou: “Não estou sabendo de nada”.

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