Mark Blake, uma anatomia do Pink Floyd

Estadão

09 de março de 2012 | 17h00

Carlos Eduardo de Oliveira – ESPECIAL PARA O ESTADO

À altura de Beatles e Stones

Por e-mail, de Londres, onde mora, o jornalista Mark Blake comenta ao Estado o lançamento no Brasil de Nos Bastidores do Pink Floyd.

O que diferencia seu livro das muitas biografias?

Meu livro atualiza a história do Pink Floyd. Há nele uma infinidade de pessoas que nunca haviam sido entrevistadas antes para falar de sua relação com a banda.

Syd Barret emerge na obra como um dandy, cujo carisma influenciava todos ao seu re-dor, não?

Barrett era um jovem com um imenso e estranho carisma. Quando saiu da banda, inicialmente seus amigos acharam muito difícil continuar sem ele.

O que faz do legado do Pink Floyd tão influente hoje, se comparado aos demais grupos de sua geração?

É tão importante, mas não maior, que o dos Beatles e dos Rolling Stones. É verdade que nunca se tornou um monstro sagrado como esses, mas o que faz com que sucessivas novas gerações descubram o apelo de sua música é o fato de ela lidar com temas universais: medo de crescer, medo de envelhecer, sentimentos de não pertencimento, de ser um outsider. Esse tipo de assunto nunca sai de moda.

The Wall até o último tijolo

Música em profusão, e ainda filmes, documentários, livros de fotos, figurinhas e objetos customizados, como canecas e bolinhas de gude. Difícil imaginar um projeto que saciasse mais a sede de fãs de bolsos, digamos, confortáveis, do que Why Pink Floyd?. A festa começou em setembro de 2011, com a reedição de todo o catálogo do grupo em versões Discovery (remasterizadas) e edições digitais, acompanhados de álbuns de fotografia. Depois vieram a coletânea A Foot in The Door – The Best of Pink Floyd, e edições Experience (remasterizações + extras) e Immersion (discos remasterizados + extras + itens para colecionadores) dos clássicos Dark Side of The Moon e Wish You Were Here. Agora, o ciclo se fecha com o lançamento de The Wall, também em versões Experience e Immersion, lançados mundialmente esta semana. O primeiro, a R$ 89; o segundo, em versão apenas importada, a R$ 860 – com direito a uma infinidade de brindes. 

As duas novas edições de The Wall somam nada menos que nove CDs e um DVD. Se por um lado as atuais remixagens elevam a qualidade sonora à estratosfera, difícil é separar o joio do trigo, entre incontáveis demos, esquetes de canções e versões inéditas. Por outro lado, esse cancioneiro revela o grupo em ebulição, em pleno processo criativo, lapidando suas crias até dar-lhes versões definitivas. Há também muito material ao vivo, quesito na qual a versão Immersion é generosa.

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