Marcelo Camelo apostando no silêncio

Estadão

12 de agosto de 2012 | 17h00

Emanuel Bomfim

Marcelo Camelo acaba de voltar de Nova York. Foi acompanhar Mallu Magalhães em show por lá, na consagração de um projeto que se envolveu de corpo e alma como namorado, produtor e amigo. Os dois moram no Rio, “numa vida gostosa, calma e silenciosa”.

Camelo não está com disco novo na agulha, mas muitos querem vê-lo ao vivo. Passou todo o primeiro semestre nos braços de uma multidão que queria Los Hermanos. Clima de estádio, reencontro com amigos de longa data e fãs em êxtase.

Agora, o carioca vai encarar plateias comportadas para uma série de apresentações no formato voz e violão, a começar no próximo dia 15, no Teatro Bradesco. Gosta da ideia de reproduzir a pureza de suas composições, dotadas do mesmo sentimentalismo que se vê quando ele fala da vida e da carreira.

Como foi o show da Mallu em Nova York?

Fantástico. O teatro estava sold out. Ela tocou no MoMA e foi aplaudida de pé.

Participar diretamente do trabalho da Mallu foi natural ou precisou de um convite?

Teve que rolar um convite… Quer dizer, a gente foi meio se aproximando nessa direção. Eu entendo a arte, e por ser artista, como uma representação de seu inconsciente mais profundo. É um espaço que deve ser muito respeitado, entende? A gente sabe disso, por isso vai conjugando com delicadeza.

Ainda incomoda a imprensa que quer saber do seu relacionamento com a Mallu?

Não acontece muito não, pra ser sincero. É sempre um apêndice da minha música.

Mas isso não gera uma neura?

Não… Esse lado da imprensa acho bem bizarro, na verdade. Eu estava vendo esse negócio do Robert Pattinson com a Kristen Stewart… É muito doentio o que se faz. O olhar que se tem sobre isso me parece mais recriminável do que qualquer coisa que um dos dois possa fazer.

Quando se apaixonou pela música da pianista Guiomar Novaes?

O primeiro vento que soprou foi no filme do João Moreira Salles sobre o Nelson Freire. Eu fico arrepiado de falar dela. É a pessoa mais importante musicalmente em minha vida. Eu não tinha uma relação com o piano solo, e fui procurar, ouvir as coisas, saber quem eram os caras mais importantes, como o Glenn Gould. Até que caí num disco da Guiomar Novaes, o último que ela gravou em vida. Cara… Ninguém nunca tocou piano daquele jeito. É a coisa mais impressionante que eu já ouvi de um instrumentista.

Ela se tornou presente em algumas de suas composições?

Sempre está presente. O meu primeiro disco, Sou, é totalmente baseado nela.

Que avaliação você faz da turnê com o Los Hermanos?

Foi muito legal. Me impressionou muito como a banda cresceu em quantidade de público desde que a gente parou. No show, via muitos barrigudinhos como nós e uma juventude cheirosa, interessada, pulando lá na frente do palco.

Porque o Los Hermanos deu certo?

Porque a banda era boa.

Mas está cheio de artistas bons que não emplacam.

É verdade. Talvez tenha a ver com uma geração que não tinha voz. Um tipo de pessoa, mais do que uma geração. Um tipo de gente sobre o qual não se falava. A música que se tinha até então era a do vitorioso, a música do cara mais legal da sala de aula. Só que sala de aula tem uma cara legal e 40 que não são. Me sentia um desses 40. Talvez seja isso.

Gostou do primeiro show voz e violão no Auditório Ibirapuera?

Sim, mas eu estava muito nervoso. Achava que ia ser uma tentativa de estender meu estado mais natural para o palco, fazer disso um movimento menos transformador da minha personalidade. Mas na hora você fala: “Putz, que imbecil que eu fui. Essa parada é muito pior do que tocar com uma banda!”

O rock já passou pra você?

Acho que não. O rock tem uma força de expressão que é única. A banda que me fez começar foi o Acabou La Tequila, do Kassin. Eu me lembro de uma entrevista com eles que a gente perguntou: “Como é que vocês definem o estilo de vocês?” E eles disseram: “A gente mistura rock com música”. Fantástico, não é?

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