Manowar volta ao CD em trabalho épico

Estadão

30 de julho de 2012 | 17h00

Eduardo Kaneco – Território da Música
 
Nos últimos anos, o Manowar vem aplicando vários testes de fidelidade nos seus fãs. O último álbum de estúdio propriamente dito, “Gods of War”, foi lançado em 2007 e não agradou totalmente seus seguidores, devido ao extensivo material orquestrado.Depois, a banda inundou o mercado com os mais diversos materiais: o CD ao vivo “Gods of War Live” (2007), o EP “Thunder In The Sky” (2009), o DVD “Hell On Earth V” (2009) e a regravação de “Battle Hymns” (2010). Este “The Lord of Steel”, finalmente, recompensa os “manowarriors” que permaneceram leais à turma de Joey DeMaio e que podem novamente gritar com orgulho: “Manowar kills!” (“O Manowar detona!”).Talvez a experiência da regravação de “Battle Hymns”, seu álbum clássico, tenha relembrado o Manowar de quão poderoso soa um disco com composições diretas. Pois “The Lord of Steel” é assim: direto e sem firulas. São dez faixas de puro heavy metal.

O primeiro grande destaque é o som ‘reverberizado’ do baixo de DeMaio em várias faixas (ouça a faixa-título, “Manowarriors”, “Black List” e outras). Aliás, em todo o disco, o baixo está com uma incrível textura aveludada e ao mesmo tempo pesada, por vezes preenchendo o espaço de um teclado, além de algumas linhas soladas (como em “Annihilation”).

 
Karl Logan, por sua vez, traz alguns riffs rápidos e empolgantes (por exemplo, em “The Lord of Steel” e “Expendable”), além das tradicionais partes de palhetadas abafadas. Brinca, ainda, com os efeitos de estéreo em “Annihilation” e faz vários solos rápidos e com muita distorção, com destaque para seu trabalho na cadenciada “Black List”.Eric Adams cumpre bem seu papel, mostrando que ainda está em boa forma para soltar seus gritos agudos. Em relação aos vocais, cabe aqui colocar que o coro em “Manowarriors” carece de força – parece que economizaram nas vozes. O baterista Donnie Hamzik, que havia deixado o Manowar em 1983 e voltado à banda no EP “Thunder In The Sky”, prova que tem potencial para continuar no grupo por muitos anos.

O disco tem apenas (para os padrões atuais) 47 minutos e sua audição passa rapidamente, não só pela duração, mas pela variedade das composições, mesclando faixas rápidas (“The Lord of Steel”, “Manowarriors”), mid-tempo (“Born In a Grave”, “Touch The Sky”, “Expendable”, “Hail, Kill and Die”), stoner rock cadenciado (“Black List”) e balada metal (“Righteous Glory”). O único ponto que se repete é o tema das letras, como sempre focada no true metal e em guerreiros.

Há, contudo, uma faixa que se sobressai por ser extremamente inovadora, considerando o estilo do Manowar. “El Gringo” está no filme norte-americano homônimo que foi lançado este ano, com direção de Eduardo Rodriguez e com Christian Slater no elenco. É incrível como esta canção parece ter sido composta pelo Thin Lizzy. O tema, as linhas melódicas da guitarra e do vocal, as palhetadas cavalgadas e até o solo de guitarra: o espírito de Phil Lynott baixou nos músicos americanos. O resultado dessa influência aliada às características do Manowar é esta música fenomenal.

“The Lord of Steel” marca o retorno do Manowar aos trilhos que levaram aos seus clássicos álbuns dos anos 80. O tempo confirmará se este também será um novo clássico. No momento, com certeza fará seus fãs ouvi-lo várias vezes em seguida.

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