Malmsteen implacável, mas relaxado, em 'Relentless'

Estadão

11 de janeiro de 2011 | 08h30

Marcelo Moreira

Yngwie Malmsteen nunca relaxou em seus quase 30 anos de carreira, desde sempre convivendo com elogios constantes de sua genialidade. O problema é que o guitarrista sueco não só acreditou piamente que era gênio, como reivindicou para si diversas vezes o título de melhor guitarrista do metal e, por que não, do rock – por mais que respeitasse Jimi Hendrix e o seu herói, Ritchie Blackmore (Deep Purple).

Só que, se aproximando da meia idade – tem 47 anos –, o prodígio da guitarra parece que está revendo conceitos e mudando um pouco sua visão de mundo.

“Relentless”, seu mais novo álbum, lançado em dezembro passado, ainda traz altas doses de autoindulgência, pedantismo e virtuosismo às vezes além da conta, mas mostra também um pouco mais de condescendência. Malmsteen está mais leve, mais informal, um pouco mais relaxado.

Desde os anos 80 que ele não engatava três álbuns com material próprio em três anos consecutivos – “Perpetual Flame”, de 2008, e o semiacústico instrumental “Angels of Love”, de 2009, completam a trilogia.

Tim “Ripper” Owens, ex-Judas Priest e Iced Earth, que cantou em “Perpetual Flame”, retorna para fazer um trabalho muito bom, por mais que o estilo das músicas do sueco não sejam tão pesadas e nem privilegiem tanto as notas altas para os vocais.

Entre temas pesados e agressivos, e outros mais técnicos e melódicos, os destaques são “Axe to Grind”, “Caged Animal” e “Tides of Desire”. “Look At You Now” traz uma curiosidade, Malmsteen cantando. Não chega a comprometer, até porque a produção ajudou bastante, mas é um item totalmente dispensável.

“Critical Mass” e “Blinded” são rápidas e interessantes, e mostram que Owens é um camaleão, com uma voz maleável, que se adapta a vários estilos.

“Shot Across the Bow” e “Into Valhalla” são duas excelentes composições instrumentais, que trazem tudo o que se pode esperar de Yngwie Malmsteen: precisão e velocidades absurdas – seus dedos percorrem o braço da guitarra à velocidade da luz – riffs pesados e influências cada vez mais fortes da música erudita – um de seus heróis, além de Blackmore, é Niccolo Paganini, violinista e compositor italiano do século XIX

Malmsteen fez o de sempre, com muita qualidade, mas parece estar se cobrando menos, especialmente em tempos de altíssima concorrência e downloads ilegais. A música de “Relentless” reflete essa mudança de estado de espírito – e todo mundo só tem a ganhar com isso.

Tendências: