Mais uma lenda do metal nacional, o Symbols, celebra a sua história

Estadão

20 de dezembro de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

Uma das melhores bandas de heavy metal brasileiras dos anos 90 finalmente decidiu encerrar as atividades após dois CDs lançados e uma série de frustrações. Sem tocar durante meses, os integrantes decidem fazer um show de despedida – e que também seria a despedida da música de seu vocalista, que já iniciava os contatos para voltar à publicidade Só que, ao final do show, a surpresa: um empresário convida o cantor para um teste em uma das grandes bandas de metal do mundo.

Edu Falaschi quase largou a música em 2000 por conta da falta de perspectivas do Symbols. Mas o Deep Purple e Ronnie James Dio mudaram o seu destino quando ele resolveu convencer os colegas a fazer um último show de sua banda.

Para celebrar essa história de persistência e de amor à música, Falaschi e os antigos membros do Symbols vão se juntar após 12 anos para uma celebração àquela que poderia ter alcançado o sucesso que hoje o vocalista desfruta com o seu Almah.

“Esse reencontro é uma celebração à nossa história, a um trabalho que foi muito gratificante, ainda que tenha durado pouco e não tenha obtido o reconhecimento que achamos que merecia”, diz o vocalista empolgado com o evento, marcado para o próximo dia 23 de dezembro, no Manifesto Bar, na zona sul de São Paulo.

O show marca os 15 anos de fundação dos Symbols. Falaschi cantava na banda Mitrium em 1997 quando resolveu montar um projeto paralelo despretensioso com o irmão, Tito, que é guitarrista, baixista e ocasionalmente vocalista.
O Symbols of Time deu tão certo que virou somente Symbols e a banda principal de seus integrantes – além dos irmãos, ainda tinha o excelente guitarrista e vocalista Demian Tiguez, o baterista Rodrigo Melo e o baixista Rodrigo Arjonas.

A banda começou bem, ganhou prestígio entre os fãs e os músicos da época, mas as coisas não aconteceram como o esperado. Mesmo com dois álbuns de ótima qualidade – “Symbols” (1998) e “Call to the End” (2000) –, o grupo não conseguiu furar o bloqueio de vários selos nacionais e internacionais , então com olhos somente para bandas como Angra, Korzus e Torture Squad.

Edu Falaschi (FOTO: DANILLO FACCHINI/DIVULGAÇÃO)

“O que recebemos promessas de apoio e de contrato foi um absurdo, mas nada se concretizou. Fizemos um contato interessante com Mike Vescera, ex-vocalista da banda de Yngwie Malmsteen e do Dr. Sin, que é produtor, tem estúdio nos Estados Unidos e conhece produtores no mundo inteiro. Ele tentou, mas nada conseguiu, e aí a banda desanimou em 2000, e os integrantes foram saindo um a um”, comenta Edu Falaschi.

Ele reconhece que o “efeito Viper” pode ajudar na divulgação do evento – a famosa banda paulistana de metal dos anos 80 iria inicialmente fazer alguns shows com parte da formação clássica em 2012, para comemorar os 25 anos do lançamento de seu primeiro álbum, mas a procura por ingressos e o frenesi foram tão grandes que tudo virou uma turnê de cinco meses.

“Foi muito legal ver uma banda clássica e importante do rock nacional voltar e fazer uma série de shows, mostrando que o metal nacional tem público. O Viper foi grande nos anos 80 e 90, mas não voltamos por causa disso”, diz o músico. “Já conversávamos sobre esse show de reunião há tempos, e será somente esse. Minha prioridade é a minha banda, o Almah, e o Melo (baterista) mora nos Estados Unidos, nem teria como fazer turnê com a formação original.”

Falaschi faz questão de agradecer ao Deep Purple e a Dio pela continuidade de sua carreira. Ele estava no Via Funchal, em São Paulo, quando a banda inglesa passou por São Paulo em 2000, durante a turnê de 30 anos do lançamento de “Concert for Group and Orchestra”, pouco depois da decisão do fim do Symbols. Dio fez uma participação especial naquele show. “Fiquei tão emocionado com aquele show que fui ás lágrimas. Amei cada segundo do evento. Um amigo meu, do meu lado, me disse que eu jamais poderia abandonar a música e que ao menos deveria fazer um último show com o Symbols, para celebrar a minha paixão.”

O vocalista abraçou a ideia e convenceu os colegas a tocar pela última vez na casa Woodstock, em São Paulo, em show lotado. Foi ao final deste show que o empresário Antonio Pirani fez o convite para que Falaschi fizesse um teste para substituir Andre Matos no Angra, então uma banda grande no mundo.

Aprovado, Falaschi ficou 11 anos no quinteto, deixando-o em maio deste ano depois de divergências musicais e administrativas para se dedicar somente ao Almah, grupo que criou em 2007 para atuar durante os longos intervalos do Angra durante a década passada.

Com o Angra o vocalista gravou quatro álbuns e um EP (extended play, uma espécie de mini-álbum); com o Almah, já são três CDs, sendo o último, “Motion”, de 2011, integrou diversas listas de melhores do ano no Brasil e no exterior. As gravações do novo trabalho devem começar em breve, em São Paulo.

Diante da novidade que será o show de 15 anos do Symbols, fica a questão: tudo vai terminar mesmo neste dia 23 de dezembro? Só mesmo um showzinho? “Se tivermos condições, gostaria de ver ao menos um dos CDs comigo cantando reeditados, remixados e remasterizados, pois são de boa qualidade e fazem parte da história do metal nacional. Temos também material raro de estúdio e ao vivo. Quem sabe um dia não soltamos um DVD e um CD com raridades?”

Em tempo: Falaschi assumiu os vocais do Angra oficialmente em 2001. O Symbols ensaiou um retorno no ano seguinte, com Tito Falaschi nos vocais e Demian Tiguez nas guitarras, mas o grupo não dura muito e logo acaba pela segunda vez.
Em 2004, o Symbols volta com uma nova formação – Tiguez, César Talarico no baixo, Fabrizio Di Sarno nos teclados e Rodrigo Mello na bateria. Essa formação lançou o álbum “Faces”, naquele ano, que fez um sucesso moderado.

Após as gravações, César Talarico deixa a banda, sendo substituído por Tcha-Tcho, que logo saiu, e entra em seu lugar Diego Tiguez. Rodrigo Mello também deixa a banda, sendo substituído por Tony Del Nero. Ricardo de André entra na banda em 2005, e assim o Symbols volta a ter duas guitarras. Entretanto, desde 2006 a banda está em estado de “hibernação”.

SERVIÇO:

Data: 23 de dezembro (domingo)
Abertura da casa: 18h
Local: Manifesto Bar
Endereço: Rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi – São Paulo/SP
Fone: (11) 3168-9595
Ingressos: R$ 25 (pista / promocional) – R$ 50 (camarote / promocional)
Pontos de venda: Manifesto Bar; Hole (Galeria do Rock) e em todos os pontos conveniados da Ticket Brasil em www.ticketbrasil.com.br
Vendas online: https://ticketbrasil.com.br/show/symbols-sp/ (sujeito a taxa de conveniência)
Censura: 16 anos.

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