Mais um beatle toca no Brasil

Estadão

12 de novembro de 2011 | 18h00

Jotabê Medeiros

Há um beatle na cidade. Não é uma notícia irrelevante: durante 8 anos, os Beatles gestaram uma das maiores revoluções da música contemporânea do planeta, da qual quase ninguém saiu ileso.

Há um beatle na cidade, o segundo a desembarcar aqui em cerca de seis meses. Toca hoje e amanhã no Credicard Hall, e os shows terão disposições distintas – um, com cadeiras, para 3,5 mil pessoas. Outro, com arquibancada e pista, para 5 mil espectadores. O show de hoje tem ingressos esgotados, mas ainda há lugares para amanhã.

A má notícia é que não foi o mais brilhante deles, mas é um sujeito cavalheiresco, boa-praça, agradável, com notável senso de humor e ainda responsável por ter mantido um canal de comunicação eficiente entre os outros três beatles em momentos em que esses não pareciam dispostos ao diálogo (a música que abre o show, por sinal, é uma parceria dele com George Harrison, It Don’t Come Easy).

Richard Starkey, o Ringo Starr, está com 71 anos. Ganhou esse apelido, Ringo, por usar muitos anéis (rings) no tempo em que integrou uma banda anterior aos Beatles, Rory Storm and the Hurricanes. Desde o final dos Beatles, Ringo faz discos e excursiona com um time de estrelas que chama de All Starr Band.

Dessa vez, ele vem com o seguinte time: Wally Palmar, Rick Derringer, Edgar Winter, Gary Wright, Richard Page, Mark Rivera e Gregg Bissonette. A banda não é ruim, mas também não é excepcional. Preponderam as texturas do soft rock dos anos 1980.

Ringo toca no México no final de outubro ( REUTERS/Bernardo Montoya)

Edgar Winter toca teclados, sintetizador, sax e até percussão. Ringo canta e toca bateria. Seus companheiros cantam canções de suas antigas bandas, como Broken Wings (megahit de rádio da banda Mr. Mister, cantada pelo seu líder, Richard Page), Free Ride e Frankenstein (cantadas por Edgar Winter), Dream Weaver (Gary Wight), entre outras. Derringer faz um fenomenal solo de guitarra e canta em Hang on Sloopy e Rock and Roll, Hoochie Loo (de sua antiga banda, The McCoys). Dos Beatles, são três clássicos e algumas gravações menos entusiasmantes.

O primeiro clássico é Yellow Submarine, que acaricia a alma dos fãs dos Beatles. Muitos deles vão ao show com a esperança nostálgica no olhar, vestidos como a banda de Sgt. Pepper’s ou usando os cabelos tigelinha que Ringo usava nos anos 1960, com círculos de papelão imitando o miolo do bumbo da bateria do ex-beatle. Depois, vem I Wanna be Your Man. E, por fim, With a Little Help from My Friends, que Ringo cantava em Sgt. Pepper’s.

Há outras duas canções que os Beatles gravaram: Boys (que Ringo já tocava com Rory Storm) e Act Naturally (cover de Buck Owens que os Beatles gravaram em Help!). Outra que evoca os velhos parceiros é Photograph, dele e de Harrison. A verdade é que o show de Ringo é uma ação de boa vontade em mão dupla: os fãs fazem um belo esforço para achar tudo lindo, e Ringo faz um esforço simpático para manter-se na ativa. Todos ganham.

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