Mais lançamentos selecionados do primeiro semestre: Grand Magus, Kreator, Tedeschi Trucks Band…

Estadão

01 de junho de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Grand Magus – “The Hunt” – Sexto álbum de estúdio do Grand Magus, é um dos grandes lançamentos do ano da Nuclear Blast. Em 2010 a banda lançou “Hammer of the North”, que colocou a banda sueca como a grande banda de stoner metal atualidade. O baterista Sebastian “Seb” Sippola saiu, dando lugar ao pesado e insano Ludwig Witt, que era do Spiritual Beggars. O tradicional stoner do Grand Magus é denso, mas mantém o pé no heavy metal puro e sem firulas.

Kreator – “Phantom Antichrist” – São 30 anos de carreira e a violência perturbadora continua. O novo álbum do grupo alemão não traz novidades estilísticas, mas o peso e contundência de sempre. A produção é excelente. As letras são um grande destaque, com temas atuais e de crítica ao que Mille Petrozza, o guitarrista e vocalista, chama de “sociedade decadente e desumana”. Não é uma obra-prima, mas não há pontos baixos. Ouça a ótima faixa-título, além de “Civilization Collapse”.

Tedeschi Trucks Band – “Everybody’s Talking – Live” – Segundo álbum da banda de blues rock do casal de guitarristas Derek Trucks e Susan Tedeschi, o primeiro ao vivo. No clima de Allman Brothers (que Trucks integra) e Grateful Dead, os dois abusam de jams longas e solos intermináveis (sem que isso seja ruim), lastreados em uma banda de apoio excelente e entrosada. Porém, mesmo com execuções perfeitas e clima descontraído nas jams, ainda falta um pouco de paixão, coisa que não faltou na excelente apresentação que fizeram no festival SWU em Paulínia, no ano passado. é um álbum muito bom, mas ficou um pouco aquém da qualidade de outras apresentações da banda. O destaque do CD duplo é a trinca “Bound for Glory”, “Rollin’ and Tumblin’” e “Nobody’s Free”.

– Sledge Leather – “Imagine Me Alive” – Uma grande surpresa deste ano no metal: a volta da ótima cantora Leather Leone ao mundo da música, depois de um exílio voluntário de 20 anos, quando deixou a música para trabalhar em uma clinica veterinária nos Estados Unidos. Ela foi a grande voz rouca de três grandes álbuns da banda norte-americana Chastain, liderada pelo guitarrista David T. Chastain, e foi substituída pela também excelente Kate French. Nesta nova banda, ao lado do baterista Sledge e do baixista Jimmy Bain (ex-Rainbow e Dio), a cantora direciona os trabalhos para um heavy metal tradicional com toques modernos, em uma sonoridade mais limpa e nem tão veloz como na época do Chastain. Está longe de representar algo inovador, mas se trata de um heavy metal agradável e interessante, com uma voz feminina potente e diferente.

 

Erja Lyytinen – “Songs from the Road” – A guitarrista finlandesa faz parte da novíssima geração de mulheres instrumentistas do blues, ao lado da sérvia Ana Popovic, da australiana Anni Piper e das americanas Dani Wilde, Samatha Fish e Joanne Shaw Taylor, entre outras. Com pegada forte e bastante swing, a menina esbanja musicalidade e feeling, embora não seja tão técnica quanto Popovic. Sétimo álbum solo ca guitarrista e cantora, este ao vivo pega Lyytinen no auge aos 35 anos de idade, onde mostra versatilidade e certo virtuosismo ao reinventar temas próprios e temas blueseiros mais obscuros dos Estados Unidos. Destaques para a suíte de abertura, “The Road Leading Home” e “Voracious Love”, e para os duetos frenéticos com segundo guitarrista, Davide Floreno.

 

Hawkwind – “Onward” – Uma das bandas pré-históricas do prog metal ressurge da hibernação com um álbum surpreendente – o segundo em seis ano. Banda que revelou Lemmy Kilminster, baixista e vocalista do Motorhead, o Hawkwind entrou na máquina do tempo e conseguiu resgatar o clima psicodélico progressivo do final dos anos 60, quando David Brock, o vocalista e cérebro da banda, cunhou aquilo que foi chamado de space rock. “Death Trap” e “Computer Cowards” são os momentos mais pesados e energéticos do CD duplo, enquanto que as belas “Southern Cross”, “The Flowering of the Rose” e “The Prophecy” são mais etéreos e viajantes. Um bom álbum para o retorno da banda.

 – The Cult – “Choice of Weapon” – Ian Astbury e Billy Duffy continuam presos ao passado, o que não é necessariamente ruim. O novo álbum não tem novidades, remete à sonoridade que a banda buscava nos anos 80 e é bem agradável. Mas nada mais do que isso. Faltou inspiração, mas o Cult continuar existindo é uma boa notícia em meio a um mar de bandas pop ruins que empesteiam o mercado atualmente. Trata-se do primeiro disco do grupo em cinco anos, e o lançamento marca o retorno do produtor Bob Rock, que já trabalhou com o Metallica. Destaques para “Elemental Lght” e “The Wolf”.

 

Neil Young – “Americana” – A volta da banda Crazy Horses como apoio ao guitarrista canadense é uma boa notícia. Sempre tentando novos caminhos e sonoridades diferentes, neste álbum Young resolve radicalizar ao desconstruir músicas tradicionais da cultura dos Estados Unidos, como “Oh! Susanna”, “Gallows Pole” e “This Land Is Your Land”. É o primeiro álbum com esta formação desde “Broken Arrow”, de 1996. O trabalho é surpreendente, embora vá fundo no experimentalismo.

Morse Portnoy George – “Cover 2 Cover” – Dez anos depois, os amigos Neal Morse (guitarra, vocais e teclados, ex-Spock’s Beard) e Mike Portnoy (bateria, ex-Dream Theater), parceiros nos projetos Transatlantic e Flying Circus, recebem novamente o baixista Randy George, que já acompanhou grandes artistas como Rick Wakemam,Paul Gilbert, Steve Hackett, Adrian Belew, entre outros. O projeto é bem simples: amigos que se juntam para tocar versões de músicas pop e do rock, com “Pleasant Valley Sunday” (Monkees), “Badge” (Cream), “Maybe I’m Amazed” (Paul McCartney), “Where the Streets Have No Nome” (U2) e “Rock’n Roll Suicide” (David Bowie), com arranjos inusitados e clima descontraído. O novo trabalho é uma continuação, mas com um repertório bem menos óbvio, com pérolas como “Teacher” (Jethro Tull), “Driven to Tears” (The Police), “Starless” (King Crimson) e “The Letter” (Joe Cocker). Um álbum despretensioso e bem gostoso de ouvir.

 

 

 

 

 

 

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